A Estabilidade do Casamento e as “Raposinhas” - Parte 1

A Estabilidade do Casamento e as “Raposinhas” – Parte 1

9 jul 2015

Raposa

No texto acima, a amada esposa chama a atenção do seu amado esposo para as raposas e seus filhotes que entram nos vinhedos e causam uma devastação. Raposinhas soltas numa vinha em flor fazem estragos enormes! A amada sabia do potencial devastador desses pequenos animais. Eles são aparentemente inofensivos, mas são capazes de devastar e destruir uma grande vinha.

Nesta reflexão vamos identificar “a vinha florida” com bons casamentos que  andam conforme os princípios e valores estabelecidos por Deus. Vamos identificar ainda “as raposinhas” com pequenos hábitos e comportamentos, pequenas desavenças e frustrações acumuladas ao longo dos anos que sugam a seiva do amor e matam a felicidade do casamento. As raposinhas são um símbolo daquilo que parece inofensivo, mas que no futuro trarão desgostos ao relacionamento conjugal. Sãos os pequenos problemas que parecem insignificantes aos olhos do casal. São pequenas circunstâncias mal resolvidas que na verdade destroem o casamento. Na verdade, os pequenos problemas no relacionamento conjugal não parecem muito ameaçadores, por isso são tolerados. O problema é que no início eles são como fiapos de algodão, mas com o passar do tempo se tornam verdadeiros cabos de aço.

Cantares 2.15 revela que as perigosas raposinhas demandam cuidados urgentes. Se as providências não forem tomadas no presente, a estabilidade futura do relacionamento conjugal e familiar não subsistirá. Em nossos dias, diversas raposinhas têm rondado e destruído muitos relacionamentos. Vejamos algumas delas:

A raposinha da “herança familiar”.

Quando duas pessoas se casam, cada uma traz consigo sua “bagagem” para o casamento. Que “bagagem” é essa? Hábitos e manias aprendidas na infância, gestos e atitudes próprios da cultura familiar, gostos e preferências que chocam e agridem o cônjuge, feridas emocionais, cicatrizes de um passado doloroso e outras mais.

O fato é que casais iniciam o casamento trazendo consigo um “excesso de bagagem”. A raposinha do “excesso de bagagem” mina toda alegria do casamento e impedem os cônjuges de amarem e serem amados. Muitos casamentos estão em crise porque os cônjuges não conseguiram se desvencilhar do “excesso de bagagem”.

Muitos cônjuges não sabem expressar amor porque jamais presenciaram gestos de carinhos e afetos dentro do seu convívio familiar. Alguns são filhos de pais ausentes e casam-se em busca da figura do pai ou da mãe. Outros são frutos de uma família onde o “diálogo” era na base do grito. Vencia quem gritava mais! Ainda outros são frutos de uma família onde havia abusos físicos e emocionais. Alguns entram no casamento com a autoestima baixa porque foram sempre desvalorizados como pessoa. Se falar dos casos em que um ou outro carregam traumas e feridas profundas na alma porque foram sexualmente abusados na infância ou adolescência e nunca foram tratados e restaurados. Toda essa “bagagem” e outras mais são trazidas para dentro do casamento de maneira consciente ou inconsciente e afetam o relacionamento conjugal.

É preciso que casais tomem os devidos cuidados e estejam atentos! Pois, a raposinha da “herança familiar” pode comprometer a estabilidade do casamento e ameaçar a sua sobrevivência. Não permitam que essa perigosa raposinha devaste a vinha do seu relacionamento conjugal.

A raposinha do “ressentimento”.

Ressentir é tornar a sentir. É sentir muito uma dor provocada por uma ofensa. É magoar-se a ponto de ficar sentindo os efeitos da ofensa cada vez que olha para o cônjuge. Ressentir é magoar-se a ponto de ficar sentindo os efeitos do abuso até quando recebe os “afagos” do cônjuge.

A raposinha do “ressentimento” cria barreiras entre o casal, apaga a paixão dificulta a intimidade, esfria o amor e mata o casamento. A longo prazo, o ressentimento provoca o efeito “panela de pressão”. Ressentimento ao longo dos anos obstrui a válvula de escape do coração provocando assim a explosão do relacionamento. Depois que explode, os efeitos na relação conjugal são devastadores e quase irreversíveis. Normalmente, quando isso acontece, ou os dois amargam uma convivência infeliz, ou fazem do divórcio uma “válvula de escape”.

 No entanto, a chave para a completa superação e a cura do ressentimento só é encontrada no perdão mútuo. Acerca desse assunto o apóstolo Paulo escreveu: “Longe de vós, toda amargura, […]. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4.31, 32).

Por: Pr. Paulo César Nascimento

PS. Aguarde a continuação nas próximas postagens.

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