Ex-governador Beto Richa e aliados do tucano são presos em ação no PR

Ex-governador Beto Richa e aliados do tucano são presos em ação no PR

A 53ª fase da Operação Lava Jato foi deflagrada na manhã desta terça-feira (11)
12 set 2018

O ex-governador do Paraná Beto Richa, atual candidato ao Senado pelo PSDB, foi preso temporariamente na manhã desta terça-feira (11) por suspeita de fraude em licitação de obras de estradas rurais no estado.

Na ação feita a pedido do Gaeco (grupo de combate ao crime organizado) do Ministério Público do estado, também foram presos a mulher dele, Fernanda Richa; o irmão de Richa e ex-secretário de Infraestrutura, Pepe Richa; o ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo; e o ex-secretário Ezequias Moreira.

Ao todo, 15 pessoas foram alvo de mandados de prisão temporária, ordenados pela Justiça Estadual do Paraná –no mesmo dia, a gestão de Richa também foi alvo de nova fase da Operação Lava Jato.

As prisões atingem figuras-chave no entorno do tucano, que estava em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Paraná, com 28%, segundo o último levantamento do Ibope.

Fernanda Richa era um dos principais cabos eleitorais do ex-governador. Ex-secretária da Família, era popular nas periferias e entre populações atendidas pelo governo.

Pepe Richa comandou a superpasta da Infraestrutura, que reuniu Transportes, DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e a superintendência do Porto de Paranaguá.

Roldo, por sua vez, que também foi alvo de um mandado de prisão preventiva na Lava Jato nesta terça, era considerado o homem-forte do ex-governador e um de seus principais articuladores políticos.

O procurador Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, negou que a data de deflagração da operação tenha sido intencional. “Não há vedação legal para fazer investigação no período eleitoral”, afirmou. “Não podemos parar os trabalhos por motivos dessa natureza.”

A lei eleitoral prevê que, a contar de 15 dias antes da eleição, os candidatos só sejam presos em caso de flagrante. Esse prazo passará a valer apenas no dia 22 de setembro.

O ex-governador tucano é suspeito de ter participado de fraudes no programa Patrulhas do Campo, de recuperação e abertura de estradas rurais no interior do estado.

“É aquele padrão: licitação dirigida, pagamento de propina e eventual lavagem de dinheiro”, afirmou Batisti.

O Patrulhas do Campo cedia máquinas como escavadeiras, tratores e motoniveladoras a municípios do interior, para a abertura e manutenção de estradas rurais.

Pelo menos 2.000 km de estradas foram recuperados ou abertos por meio do programa desde a primeira gestão de Richa, que governou o Paraná entre 2011 e 2018. Os crimes teriam sido cometidos entre 2012 e 2014, de acordo com o Gaeco.

Entre os alvos de prisão também estiveram empresários -incluindo Joel Malucelli, suplente do senador e candidato à Presidência pelo Podemos, Alvaro Dias, mas que estava em viagem a trabalho na Itália. Ele negou envolvimento em irregularidades.

A investigação apura os crimes de fraude à licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

As prisões são temporárias e valem por cinco dias, que são prorrogáveis. O processo corre em segredo de Justiça.

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