Presos no corredor da morte falam sobre seus crimes na série documental “Eu Sou um Assassino”

Presos no corredor da morte falam sobre seus crimes na série documental “Eu Sou um Assassino”

Série aborda a visão dos condenados sobre a pena de morte e os motivos que os levaram até lá
10 ago 2018

Semana passada indiquei uma série documental para quem não curte documentários: “Explicando”, da Netflix. Lá no Instagram do Uma Série de Coisas (@umaseriedecoisas), algumas pessoas pediram indicações de documentários que falassem sobre um único tema, diferente do que sugeri na última sexta-feira (3). Como pedido feito é pedido atendido, a coluna de hoje é sobre “Eu Sou um Assassino”, documentário de dez episódios que fala sobre os presidiários que estão – ou estiveram – no corredor da morte, em prisões dos Estados Unidos.

Foto: Netflix/Reprodução

“Eu Sou um Assassino” chama atenção logo pelo título. É uma afirmação forte, impactante, incomoda. Li em voz alta e pensei: “cruzes, eu não”. O segundo pensamento que apareceu foi: “o que leva uma pessoa a se colocar como responsável pela morte de alguém?”, isso foi o bastante para que eu apertasse o play. Cada episódio conta a história de um presidiário diferente, com foco em seu ponto de vista e na reflexão das consequências que os levaram até ali.

“Desde que a pena de morte foi reinstituída nos EUA em 1976, mais de 8.000 pessoas foram sentenciadas à morte por assassinato”. Esse dado é fornecido no começo dos dez episódios da série documental. Somos apresentados ao condenado por meio de entrevistas realizadas com ele e com as pessoas que se envolveram direta ou indiretamente com o caso (familiares das vítimas e presos que eram companheiros de cela, por exemplo).

A narrativa é, sem dúvida, o ponto forte do documentário. Em uma hora de duração, cada caso é analisado, dissecando qualquer possível desdobramento ou teoria e procurando externar opiniões dos dois lados do crime – vítima e agressor – paralelamente. É fascinante ou, no mínimo, curioso tentar entender as condições que levaram determinado detento a cometer um homicídio. Alguns permanecem sem arrependimentos e com clareza dos seus atos. Outros questionam se seria realmente necessária uma pena de morte para seu caso.

Outro ponto positivo vai para quem é mais sensível. Embora o assunto seja polêmico e sério, não há fotos, vídeos ou qualquer outro tipo de conteúdo que ilustre a violência cometida pelos infratores. No máximo uma fotografia embaçada ou poças de sangue no chão, mas nada visivelmente perturbador. O objetivo do documentário não é chocar e, sim, externar a realidade vivida nos Estados Unidos (um dos 57 países que permitem a pena de morte) de maneira humana, o impacto que reverbera em outras pessoas e os defeitos da lei e do sistema prisional que as penitenciarias adotam.

Para os que gostam de produções baseadas em fatos reais, crimes ou histórias que envolvem o psicológico do ser humano, “Eu Sou um Assassino” é um prato cheio para maratonar em poucos dias.

E se você já assistiu todos os episódios, conta nos comentários como se sentiu com a sinceridade dos detentos e se você concorda ou não com o que foi mostrado!

*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 200 produções e já assistiu mais de 6 mil episódios. A série mais assistida – a favorita – é ‘Grey’s Anatomy’, à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Blog: Uma Série de Coisas.

Por: Fernando Martin.A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.
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