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Artista serra-talhadense lança mais um clipe musical

Por: em 16/03/2021 às 18h28 atualizado em 16/03/2021 às 18h28

“Selva de Pedra” é o segundo single do Ep visual DEMO do artista LGBT maneco (também conhecido como LEONAM e Mannoel Lima, seus dois outros pseudônimos), um projeto realizado durante a pandemia 2020/2021 com músicas feitas de forma caseira e clipes realizados através da parceria do artista com outros quatro realizadores culturais serra-talhadenses: Alvaro Severo, Evlx, Zel Ferraz e Max Rodrigues. Para sabermos mais sobre essa aventura, O Portal NN conversou por telefone com “maneco”.

Assista o Clipe aqui!

O que é Selva de pedra e o que essa música representa pra você maneco?
“Selva de pedra” é uma mensagem que não vai agradar a todes e nem pretende, mas que precisa ser dita e refletida. Essa música fala da violência cometida contra comunidade LBTQIA+ desde a hora que nascemos até o dia de nossa morte (Uma violência que ainda é mais cruel contra nossas irmãs e irmãos Trans, que muitas vezes são invisibilizades dentro da nossa própria comunidade). Mas felizmente isso está mudando e está mudando porque não paramos em momento algum de protestar contra e denunciar a violência que cometem contra todes nós LBTQIA+. Sei que as vezes a gente desacredita da nossa luta, mas todos o direitos que eu e todo mundo tem hoje é fruto de muita luta: votar, casar, mulheres poderem trabalhar e por aí vai… Só quem sempre teve tudo foi o homem-branco-heterossexual-rico e eles querem que a gente se cale pra poderem tirar tudo de nós.

Como nasceu o ep visual DEMO?

Lá no começo de 2020 comecei a trabalhar nuns beats com o produtor Evlx para algumas músicas que eu tinha escrito há algum tempo, mas não tinha tido oportunidade de gravar. Pois bem, eu estava super empolgado e de repente veio a pandemia e não pude mais voltar a casa dele para terminarmos. Mas se tem uma coisa que essa pandemia me ensinou é que a gente não pode esperar pra dizer o que pensa e, principalmente quando isto está relacionado à situação política do país. Então, pegay os beats crus mesmo, ligay meu celular e assim nasceu o Ep DEMO.

Ao mesmo tempo que ideia de laçar demos do projeto fosse “de boa” pra mim, eu respeito muito meu público e queria entregar algo mais. Na mesma época eu estava passando os finais de semana isolado junto a dois amigues na zona rural de Serra Talhada, então eu expliquei minha proposta e me atrevi a convidá-les pra fazer os clipes para cada música do EP. Até agora lançamos dois: DINHEIRO E SELVA DE PEDRA.

Quais as inspirações para seu novo trabalho DEMO?

As minhas inquietações. Por ser quem sou sempre me consideraram um DEMÔnio, a DEMOcracia que rui aos nossos olhos e na coisa crua da música, a DEMO propriamente dita. Busco minha força nos movimentos sociais, mais especificamente no Movimento Diverso (grupo LGBTQIA+ de Serra Tahada) e no Coletivo Mangaio (grupo de artistas alternativos do Sertão do Pajeú), é neles que encontro meus pares e eles me dão força pra seguir criando, através das minhas vivências e indignações. Como canta Titãs “A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida. A gente quer saída para qualquer parte”. E atualmente a gente quer vacina, impeachment do presidente e seguridade social.

Como foi gravar clipes no meio da caatinga e de onde vieram os recursos?
Eu só tive o recurso mais precioso: apoio de dois amigues querides. Para produção de arte chamei minha amiga Zel Ferraz e começamos a brincar com elementos da nossa cultura como abanador, peneira e misturamos com um figurino bem “aviadado”, contando inclusive com um figurino de um herói viado, que chamamos carinhosamente de “Superviado”. Afinal, e agora quem poderá nos defender de tanta LGBTfobia, machismo e racismo nesse país caótico e pandêmico?

A fotografia de todos os clipes ficou por conta de Alvaro Severo, com quem tenho uma longa parceria e fizemos questão de gravar todos os clipes do Ep na Fazenda Barreiros, onde ele está desenvolvendo um projeto muito importante de preservação da Caatinga chamado “Projeto Serra Grande”. Lá, além de ser uma área de proteção da vegetação catingueira, também é um espaço de cultivo de mudas nativas que são plantadas em áreas desmatadas na comunidade. E o melhor é que todes nós podemos conhecer e colaborar com o projeto. Para saber mais basta visitar a pagina @projetoserragrande no instagram. É um projeto lindo e que precisa muito do nosso poio.

A gente filmou tudo ano passado e desde lá venho buscando um editor e agora no começo de 2021, estou tendo o prazer de colaborar com Max Rodrigues na edição de DEMO e de outros trabalhos que temos desenvolvido juntos. Max é mais um parceiro em quem confio demais e tem uma sensibilidade única para fotografia e edição. Tem sido um processo muito rico e cheio de aprendizado. E vem mais coisa por aí!

Qual impacto da pandemia em seu trabalho artístico?

Assim como todo o projeto do EP DEMO é um grande desafio na minha carreira, pois tive que repensar as formas de fazer arte, mesmo se reunir em estúdios e produzir músicas se tornou arriscado por causa da Covid. Pra nós artistas LGBTs independentes essa situação é ainda pior, pois não temos muitos recursos para seguir produzindo e nós sabemos que trazemos um conteúdo que a sociedade quer silenciar, que o governo quer silenciar, mas a gente resiste e segue denunciando os crimes deste Estado criminoso.“Selva de pedra- Capa” arte por Max Rodrigues e fotos de Alvaro Severo

Gratidão ao Portal pelo espaço e todes que seguem firmes acreditando na diversidade cultural da região, em especial nos artistas LGBTs do sertão de Pernambuco.

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