Em vigília, estudantes ligados às organizações que vêm se mobilizando no Recife pedem a liberação do manifestante Bruno Torres Mendes Soares, 19 anos, o único dos 16 autuados após o protesto dessa quarta-feira (17) que permaneceu preso. Bruno foi encaminhado ao Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, e deve responder por desobediência a policial, depredação do patrimônio público e corrupção de menores.
Integrantes das organizações que participaram do protesto reúnem-se em frente ao Cotel desde a noite dessa quinta-feira (19), para dar apoio ao estudante de história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) preso. A vigília continuou nesta sexta (20), com menos estudantes. De acordo com a Frente de Luta pelo Transporte Público, novos manifestantes devem chegar ao longo do dia e o ato só deve acabar quando ele sair da unidade prisional. Durante a manhã, advogados populares que auxiliam os grupos devem tentar acelerar a liberação de Bruno através do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Bruno contou à Rádio Jornal, no momento em que foi encaminhado à delegacia, que estava com um grupo que iriam ao posto na Conde da Boa Vista, no momento em que todos correram porque outras pessoas, segundo ele, estavam depredando o VEM. Bruno contou que foi parado pela Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) e já avisado que seria preso por desacato e depredação. “Eu não poderia ter feito nada, estava com a faixa na mão.”. Ouça entrevistas com o estudante, a mãe dele e a advogada no site da rádio.
Os manifestantes que realizam a vigília não acreditam que foi Bruno quem quebrou o vidro do posto de atendimento do VEM, que fica no Centro do Recife. “Temos vídeos que mostram que ele não estava nem perto de onde isso aconteceu e as testemunhas que dizem que não foi ele. O problema é que nem quiseram (na delegacia) saber”, explica a integrante da Frente de Luta pelo Transporte Público Raíssa Bezerra.
O estudante Rodrigo Dantas, que estava em frente ao Cotel nesta manhã, afirmou à Rádio Jornal que Bruno é, na verdade, um preso político. “Foram duas pedras jogadas e 16 pessoas presas.” Para a Frente de Luta Pelo Transporte Público, esse foi um ato isolado de alguém que não pertence às organizações que geralmente participam das manifestações. “Determinamos o que vamos fazer em reuniões feitas antes da mobilização, estabelecendo uma estratégia coletiva. A nossa orientação é sempre para não fazer nada que prejudique o coletivo”, disse Raíssa.
REIVINDICAÇÕES – As duas principais lutas dos manifestantes são pelo passe livre para estudantes e trabalhadores desempregados e a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo na Câmara do Recife. Para Raíssa Bezerra, o poder público não tem sinalizado o interesse de avançar nessas questões. “A nossa resposta a isso é continuar mobilizando até que se abra uma negociação real”, afirmou.
O ato dessa quarta-feira foi um exemplo dessa promessa. No entanto, no protesto, dois grupos se dividiram. Enquanto representantes do Black Bloc – grupo que nasceu em São Paulo e defende o uso de máscaras em protestos – marchavam na linha da frente da caminhada, a Frente de Luta pelo Transporte Público PE – responsável pela organização do ato – resolveu recuar e continuar a passeata distante dos Black Bloc. Todos seguiram pelo Cais do Apolo, em direção à sede da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR). Após desistir de furar o bloqueio da polícia montado no local, os manifestantes deixaram o Cais do Apolo. Sozinhos, cerca de 50 black blocs seguiram pelas ruas centrais do Recife.






