O Facebook anunciou mais uma novidade que está causando grande alvoroço em todo o mundo: uma moeda digital própria, a Libra. Ela será lançada em 2020 e promete ser acessível – financeiramente e tecnicamente – a qualquer pessoa. De acordo com o comunicado oficial divulgado pela empresa, 1,7 bilhão de pessoas não têm conta bancária, 31% da população do mundo. A ideia é entregar uma solução para que pessoas que não têm conta em banco, possam transferir, fazer pagamentos e guardar dinheiro pelo smartphone.

Ao contrário das outras criptomoedas, a libra pretende se popularizar tanto quanto a rede social e para isso, a empresa buscou integrar os aplicativos pertencentes ao grupo para facilitar as transações entre os usuários, como o WhatsApp e o Messenger (do Facebook). A carteira digital deverá ser criada no aplicativo Calibra, mas o dinheiro poderá também ser movimentado nestes já conhecidos.
O objetivo é permitir que sejam feitos pagamentos e transferências sem ou com baixo custo, evitando inclusive a necessidade de transportar dinheiro físico. Todas as transações poderão ser feitas pelo celular. Será possível, por exemplo, comprar um headset no Ebay com a moeda digital, sem nenhuma taxa de transação, de forma muito rápida usando o aplicativo, sem intermediações – como acontece com pagamento feito por cartão ou boleto, que precisa de prazo para aprovação da instituição financeira.
A Instituição responsável pela gestão da moeda digital será a Libra Association, com sede na Suíça. Ela é uma entidade sem fins lucrativos da qual fazem parte 29 grandes empresas, entre elas Paypal, Ebay, Visa, Spotify, Mastercard, Uber.
Ainda não se sabe qual vai ser o valor de unidade da libra do Facebook. As transações poderão ser feitas, a princípio, com as empresas parceiras da associação. Para resolver o problema de volatilidade – a inconstância no valor, problema que já acontece com as
criptomoedas atuais – a libra ficará lastreada nas moedas tradicionais com baixa volatilidade, como o dólar, euro e iene.
Alguns economistas de todo o mundo manifestaram opiniões contrárias à nova moeda e demonstraram uma grande preocupação com o monopólio do Facebook. Eles se incomodam com o fato de ter uma nova moeda global que seja controlada por grandes chefes das multinacionais, e não pelas instituições bancárias.
Em artigo publicado pelo Financial Times, o cofundador do Facebook, Chris Hughes, alega que a nova moeda pode ameaçar a soberania dos Bancos Centrais, principalmente dos países emergentes, como o Brasil. Segundo ele, caso as pessoas realmente decidam trocar a moeda local pela libra, os governos poderiam perder a capacidade de administrar os recursos do país.
O que é uma criptomoeda?
Em sua essência, a criptomoeda é um dinheiro digital. As principais diferenças dela para as moedas tradicionais são: a possibilidade de anonimato nas transações, a descentralização – não existe um órgão ou instituição financeira que faça a regulamentação – e operações sem nenhum custo.
O sistema que permite o seu uso, o Blockchain, funciona como uma espécie de livro de contabilidade eletrônico com os registros de todas as transações. Essas informações ficam guardadas em processadores espalhados por todo o mundo, e que são operados por profissionais conhecidos como “mineiros”;. A criptografia dificulta a ação de hackers.
A grande crítica às criptomoedas é que, por não ter nenhum tipo de fiscalização, elas podem ser facilmente utilizadas para atividades ilegais, como lavagem de dinheiro. Além disso, o valor é especulativo e portanto o risco de perder o dinheiro investido é muito alto. A Bitcoin, a mais conhecida e comprada, já chegou a valer no seu auge R$ 30 mil a unidade. Hoje está por volta dos R$ 9 mil.




