De acordo com o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, os leitos destinados às crianças e bebês com sintomas da COVID-19 no estado estão com taxa de ocupação em 72%. Número que precisa de uma diminuição significativa antes da divulgação do calendário de volta às aulas, previsto para o próximo mês.
“Atualmente a ocupação média nas vagas destinadas a bebês e crianças está em 72% em UTIs, na última vez que nós vimos estavam em 90%”, disse André durante coletiva. “Nós estamos em contato com alguns serviços pediátricos para a abertua de novos leitos, nos preparando para ter uma reserva para abrir na medida em que se decida – que se possa decidir-, pela retomada das atividades escolares.”

Em coletiva concedida na última terça-feira, foi divulgado que neste mês de agosto aconteceu a maior procura de leitos para crianças com problemas respiratórios em Pernambuco. Segundo a Secretaria de Saúde, uma das principais causas deste aumento é a volta da circulação nas ruas. O hospital com maior notificação foi o Barão de Lucena, na Zona Oeste do Recife. O estado conta com mais de 100 leitos voltados para bebês e crianças, e 37 destes são para terapia intensiva.
De acordo com o secretário, não houveram novas notificações da síndrome respiratória multissistêmica pediátrica nos últimos dias. “É natural que os serviços estejam se adaptando a esse protocolo para a identificação de casos suspeitos, que devem ser notificados. Devemos nos lembrar que é uma condição de notificação compulsória, deverá ser notificado todo caso que preencham os critérios de ter exposição a COVID-19 e tenham os sintomas que caracterizam a síndrome posteriormente”.
André longo afirma também que a doença afeta de forma menos severa esta parcela populacional. Das crianças que apresentam a SRAG em Pernambuco, apenas 26% testa positivo para COVID-19, enquanto a proporção média em todas as idades é de 53%. “Nós estamos focados hoje em reuniões com representações com diversos serviços, inclusive teremos amanhã uma reunião com representantes da pediatria que estão preocupados com a situação. Mas devemos lembrar também que é uma afecção rara que a própria doença da COVID-19 afeta crianças com menor gravidade. De todos os casos graves que tivemos em Pernambuco, apenas 2,5% acometeram essa faixa etária e é necessário que as pessoas tenham tranquilidade para não se gerar um pânico desnecessário.”
Imunoglobulina
Um dos principais remédios para o tratamento da síndrome respiratória rara relacionada à COVID-19 em crianças é a imunoglobulina humana, que está em falta no estado de Pernambuco. “A responsabilidade pela aquisição e distribuição da imunoglobulina é do governo federal através do Ministério da Saúde, e infelizmente temos tido um fornecimento irregular desse insumo que é tão importante, não só para essa síndrome, mas para outras doenças também”, afirmou André Longo.
Segundo o secretário, reuniões com gestores municipais, estaduais e o ministro da Saúde estão sendo realizadas a respeito do assunto, mas o estado já se adiantou quanto a aquisição do produto. “Pernambuco está mobilizado, a gente já entrou em contato com o fornecedor para a aquisição, o mais rápido possível, desse material. A gente espera estar, no final da próxima semana, com a aquisição de mil ampolas que normalmente é o suficiente para um período de trinta dias”, disse.
“Esperamos que o governo federal também possa cumprir sua parte e distribuir a medicação para as redes estaduais, que é a sua obrigação, para que a gente tenha a recomposição do estoque, porque nunca é bom estar com o estoque baixo.” Via Diário de Pernambuco





