Nesta quinta-feira (18), Pernambuco entrou em quarentena na tentativa de frear o avanço da pandemia da Covid-19.
O estado se encontra com 97% dos 1.289 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados e nunca possuiu tantos pacientes graves e pedidos por leitos desse tipo desde o início da pandemia, em março de 2020.

“Acho, sim, que a gente está no pior momento da pandemia e ainda vem piorando, porque a gente está abrindo muito leito de UTI, mas a velocidade de disseminação do vírus hoje é muito alta. A gente não consegue vencer essa corrida contra o vírus”, afirmou o médico infectologista Bruno Ishigami.
Ele é membro da equipe do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, uma das unidades no Recife que é referência para atendimento de infectados pelo novo coronavírus, e atuou em hospitais de campanha em 2020.
Segundo Ishigami, a tendência é de registrar ainda mais casos e mortes nas próximas semanas, antes que possam ser sentidos os efeitos da quarentena.
“Aqui em Pernambuco, tudo indica que a gente vai ter um cenário muito pior do que a gente teve no ano passado. […] Acho que a gente vai piorar muito, acho que a gente vai ter um pico de mortes mais alto do que a gente teve ano passado”, afirmou.
Na terça-feira (16), o estado confirmou 60 óbitos em um único dia, o número mais alto para 24 horas em 2021. Nesta quinta-feira (18), foram mais 53 mortes.
“Estou achando que estamos revivendo o abril de 2020, começa tudo de novo. As emergências lotadas, relato de UPA [Unidade de Pronto-Atendimento] precisando ficar com serviço fechado, relato de paciente que precisa ficar aguardando em fila de UTI e não vejo a mesma preocupação por parte da população como um todo”, declarou Ishigami.
O infectologista explicou, ainda, que a taxa de 97% de ocupação não significa que existem leitos de UTI vagos, de fato, no estado. “Esses 3%, na realidade, são leitos que já estão direcionados a algum paciente, está só esperando paciente chegar, está aguardando a Central de Regulação casar a vaga”, disse.
“Eu conversei com uma colega da Central de Leitos e ela disse que tinha paciente que estava aguardando há cinco, seis dias. Acredito que ainda não é a maioria dos casos, mas um paciente que está esperando cinco, seis dias, é um paciente que corre o risco de falecer dentro de uma emergência”, declarou Ishigami.
Para o médico infectologista, é extremamente necessário que a população se conscientize e fique em casa o máximo possível para que, daqui a duas ou três semanas, o estado possa começar a registrar redução nos números da pandemia. Informações do G1





