Por Paulo César Nascimento
Segundo reportagem de um Meio de comunicação de Serra Talhada, o Promotor de Justiça “enviou um duro recado aos vereadores” que apresentaram na Câmara Legislativa de Serra Talhada um Projeto de Lei para que as igrejas sejam reconhecidas como “essenciais” nesse tempo de Pandemia. Lendo a fala do Promotor, citada na reportagem, não consegui identificar esse tal “duro recado” mencionado pelo colunista. Porém, conhecendo o Portal e o colunista que escreveu, não admira tamanho sensacionalismo na manchete! Porém, essa expressão “duro recado” me chamou bastante atenção e fez surgir em minha cabeça uma série de questionamentos que eu gostaria de compartilhar com você, leitor.
Na sua fala, o promotor destaca: “O que se busca evitar é que as pessoas aglomerem”, e que a diretriz que há no MPPE é que “sejam mantidas as normas de saúde que foram idealizadas e pensadas por profissionais capacitados, que conhecem o vírus, e a forma de contaminação”.

A fala do digníssimo promotor, representante do Ministério Público, foi perfeita, porém questionável. Perfeita porque, de fato, estamos diante de um vírus com altíssimo poder de contaminação e letalidade, que tem causado a morte de milhares. Diante disso, reitero a sua fala e acrescento: não somente devemos evitar aglomerações, mas também cuidar da higienização e do uso de máscaras, especialmente em ambientes fechados. É dever, não somente do Estado, mas também de toda a sociedade, fazer a sua parte para evitarmos ou diminuirmos a disseminação desse vírus. Nesse quesito, foi corretíssima a fala do promotor de justiça do MPPE.
No entanto, sua fala fez brotar em minha mente um turbilhão de pensamentos: Onde estavam os “corajosos” promotores nos meses de agosto e setembro de 2020? Por que não usaram da mesma ousadia e “mecanismos jurídicos disponíveis” quando as ruas das cidades de Pernambuco e do Brasil estavam abarrotadas de pessoas durante a campanha eleitoral para governadores, prefeitos e vereadores? (quando resolveram fazer isso, semanas de aglomeração já haviam se passado) Por acaso, nessa data o vírus havia dado uma pausa e parado o seu “trabalho” de contaminação da população? Pois, nesse período do ano passado, candidatos mobilizavam carreatas e passeatas nos bairros e apertavam as mãos das pessoas nas portas de suas casas. E, para “abastecer” suas redes sociais, tiravam fotos e gravavam vídeos mostrando que todos estavam “juntos e misturados” em apoio ao seu candidato preferido.
Onde estavam os promotores ousados do MP para mandarem um “duro recado” para os políticos de Pernambuco e da nação? Onde estavam os digníssimos que não se mostraram tão preocupados com as aglomerações? E, caso estivessem preocupados, demoraram muito para tomar “medidas judiciais cabíveis” para fazer parar aquele absurdo em plena pandemia.
Onde estavam os profissionais especializados conhecedores “do vírus e da sua forma de contaminação”, os quais idealizaram e pensaram as normas de saúde? Aparentemente, juntamente com o coronavírus, eles também deram uma pausa para que os “ilustres” políticos não fossem impedidos de pleitearem seus “inadiáveis” cargos públicos!
Onde estavam os “bravos defensores” da saúde e da vida humana que hoje esbravejam nas redes sociais, em lives, blogs, sites e tribunas das casas legislativas desse país, dizendo hoje que estão tomando as medidas necessárias (fechamento do comércio, igrejas e espaços públicos) porque estão “preocupados” com o bem-estar da população?
Em agosto e setembro de 2020, onde estava os atuais vereadores e deputados que, hoje, apresentando-se como vigilantes e seguranças públicos preocupados com o bem-estar da população, fazem ferrenha oposição a Projetos de Lei que propõe o reconhecimento das igrejas como “atividade essencial”? Por favor, me respondam: Onde vocês estavam?
Sabe onde vocês estavam? Estavam fazendo uso do dinheiro do Fundo Eleitoral (bancado com os impostos da população) em suas campanhas, disseminando o vírus pelas cidades e zonas rurais. Vocês estavam nas ruas dos grandes centros urbanos, nos povoados e sítios (afinal, o coronavírus dera uma pausa) buscando conquistar o maior número possível de eleitores para si mesmos ou para seus candidatos que concorriam a uma “cadeira” no poder legislativo e executivo! Sabe com quem vocês estavam preocupados? Com a população? Não! Estavam pesando em seu próprio ventre, no seu próprio bolso, na garantia de quatro anos no poder usufruindo seus altos salários!
Onde estavam os paladinos da saúde pública e os incansáveis advogados da preservação da vida quando governadores, prefeitos e vereadores eleitos aglomeravam em suas mansões, casas de amigos, chácaras e clubes alugados para comemorar sua vitória no pleito eleitoral de 2020? Por favor, me respondam: Onde vocês estavam?
Sabe onde vocês estavam? Alguns, fugindo de aglomerações, estavam trancados em suas casas aguardando cair em suas contas seus gordos salários, e, isso, sem um dia sequer de atraso! Outros estavam comemorando nas redes sociais ou esbravejando nas ruas, “juntos e misturados”, o nome do seu candidato eleito, que lhes garantiria mais quatro anos de exercício de um cargo público em algum setor do Governo Estadual ou Municipal. E a preocupação com a saúde da população? E as aglomerações? E a disseminação do vírus? Ah, sim! Durante aqueles dias, o coronavírus estava em stand by (modo de espera), afinal esse tal “vírus chinês” não poderia impedir nosso projeto de poder egoísta e egocêntrico!
Onde encontram-se os defensores públicos e os especialistas em COVID-19 que conhecem o modus operandi desse vírus mortal para mandar um “duro recado” para Governadores e Empresários no ramo de transportes públicos que tomem, imediatamente, as devidas providências diante das aglomerações em ônibus e metrôs na capital pernambucana e em outras capitais do país! Por favor, me respondam: Onde vocês estão?
Onde estão atualmente os “corajosos” promotores do MP para mandar um “duro recado” para os donos e gerentes de agências bancárias e casas lotéricas que eram (2020) e continuam sendo (2021) os principais espaços públicos que aglomeram pessoas de todas as idades? Onde estão os especialistas em coronavírus conhecedores do seu método de contaminação para orientar o poder público a fiscalizar e agir com maior rigidez nesses espaços?
Onde estão os digníssimos promotores do MP, os especialistas em COVID-19, os governadores, os prefeitos e os vereadores para mandarem um “duro recado” para os donos de mansões, chácaras, balneários e bares nos arredores das cidades em lockdonw que fazem churrascos e festas clandestinas e “criminosas” (segundo comentários da própria população), e que são hoje, se não os maiores, mas os principais responsáveis pela contaminação da população serra-talhadense, de Pernambuco e do país?
E mais, já que os “especialistas” previam uma “segunda onda”, por que não se anteciparam? Onde estavam os “corajosos” defensores públicos que não exigiram, desde antes, uma ação preventiva e efetiva do Governo Estadual e dos prefeitos para investir adequada e corretamente as verbas Federais na aquisição de equipamentos de segurança para os nossos heróis da saúde que estão em linha de frente nessa terrível pandemia, na aquisição de medicamentos, na ampliação do número de leitos de UTIs nos hospitais de campanha e outros mais?
Por favor, me respondam: onde vocês estavam e onde estão agora?
Enquanto aguardamos as repostas aos questionamentos aqui levantados, faço um apelo a todos os cidadãos e cidadãs: Cuidemo-nos! Façamos a nossa parte para nos proteger e proteger aos que estão ao nosso redor! Mantenham o distanciamento social, higienizem constantemente as mãos, usem máscaras, previnam-se com boa alimentação e medicamentos que ajudam a melhorar a imunidade do corpo. E, para os que são pessoas de fé, busquem a Deus e clamem a sua misericórdia!
Paulo César Nascimento





