O mês de abril de 2021 tem se apresentado como um dos mais críticos desde o começo da pandemia do coronavírus em Pernambuco, se levado em consideração as estatísticas dos novos casos da Covid-19.
De acordo com o boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), nesta terça-feira (20), foram confirmados 2.843 casos da doença, tornando- se o quarto dia com o maior número de registros em 24 horas, desde março de 2020.

Recentemente, um relatório realizado pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) indicou que Pernambuco é o Estado com a menor taxa de mortalidade por Covid-19 do Brasil – 16,5 óbitos para cada 100 mil habitantes. Entretanto, segundo a epidemiologista da Fiocruz Ana Brito, não há motivo para comemoração. Quando levado em consideração o histórico da pandemia, permanece elevado e constante aumento o número de pessoas mortas em decorrência do coronavírus. Apenas nesta terça (20) foram 69 novas confirmações, totalizando 13.317 óbitos desde os primeiros registros no ano passado.
A professora da UPE, Ana Brito, explica que para saber a magnitude de uma doença é preciso levar em consideração os números absolutos e compará-los ao longo do tempo. “Ainda estamos tendo crescimento no número de casos em nosso Estado. Temos notificado mais de mil diagnósticos e de 30 óbitos por dia”, comenta, acrescentando que é necessário haver uma queda consistente nas estatísticas diárias. “Não basta apenas reduzir, os números precisam mostrar uma tendência de baixa.”
Na análise de especialistas, as medidas restritivas adotadas no Estado para conter o avanço da transmissão foram brandas. “Estamos tentando conviver com uma taxa muito alta de infecção em Pernambuco. A escala Ricci sugere que nas próximas três a cinco semanas o Estado enfrentará outro aumento de temperatura no que já está fervendo”, afirmou o vice-coordenador do IRRD-PE, Jones Albuquerque sobre o avanço da pandemia.
De acordo com a epidemiologista da Fiocruz, já que o país e o Estado terão dificuldade para reduzir a transmissão do vírus pela vacina, pois a imunização avança lentamente, por causa da disponibilidade das doses por parte do Governo Federal, será preciso continuar adotando medidas não medicamentosas, como uso de máscaras, isolamento social e higienização das mãos.
“Fica difícil falar em imunidade coletiva neste ritmo de recebimento e aplicação de vacinas que estamos vendo no Brasil. No melhor dos cálculos, só vamos atingir de 70% a 80% da população imunizada no final de 2022”, avalia Ana Brito, acrescentando que provavelmente será preciso aumentar o número de doses por pessoa, por causa do surgimento de novas variantes. “Vamos precisar observar como esses organismos respondem a novas infecções”, afirmou. Via Folha de Pernambuco





