Da Folha Pernambuco
Aos 77 anos, o publicitário Duda Mendonça morreu em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, desde junho.
A informação foi confirmada ao UOL por pessoas próximas ao publicitário. A causa da morte ainda não foi informada.

Essa era a segunda vez neste ano que o publicitário passava pelo Sírio. Por enquanto, o hospital não confirma a morte do publicitário por recomendação da família, que desde a internação proibiu a divulgação de boletins médicos.
Duda ganhou fama nos anos 1990, quando repaginou a imagem de Paulo Maluf (PP) e o levou a uma campanha vitoriosa à Prefeitura de São Paulo. Mas é conhecido principalmente por ter comandado a primeira campanha eleitoral à Presidência da República vencida por Lula (PT), em 2002.
Além de ter levado Lula ao Planalto adotando o mote “Lulinha paz e amor”, Duda já havia ajudado a eleger Celso Pitta, do grupo de Maluf, nos anos 1990.
Ele trabalhou nas campanhas ao Senado de Marta Suplicy (MDB) e Lindberg Farias (PT).
Em 2014, fracassou na coordenação das campanhas de Delcídio do Amaral (PT) ao governo de Mato Grosso e de Paulo Skaf (MDB) ao governo de São Paulo, que o levou mais uma vez a ser alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.
O marqueteiro foi delatado por executivos da Odebrecht, sendo acusado de receber pagamentos do trabalho ao emedebista através de caixa 2. Meses após isto, também se tornou delator, tendo sua colaboração homologada pelo Supremo Tribunal Federal em junho.
Duda virou um dos personagens principais do mensalão, em 2005, quando apareceu sem avisar em uma CPI em andamento e admitiu ter recebido ilegalmente do PT dinheiro da campanha de 2002, tendo feito parte do esquema de caixa 2 da legenda. Sete anos depois, ele foi absolvido pelo Supremo.
Em entrevista em 2018, questionado sobre se é possível fazer campanha sem caixa 2, Duda disse que acha “que sim, sobretudo para os que trabalham de forma correta. Acrescentamos os impostos nos custos e dormimos em paz”.
Apesar dos envolvimentos nos escândalos, o maior arrependimento que Duda diz ter na carreira não tem a ver com isso.
“O maior arrependimento é quando ajudamos a eleger alguém e depois ficamos desencantados com ele. Chegamos a uma conclusão frustrante: Deus nos deu um dom e verificamos que ajudamos a eleger a pessoa errada”, disse, sem citar nomes. “Não é correto dar os nomes das pessoas. Não há quem nunca erre”, complementou.
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