Da Agência O Globo
Na manhã desta quarta-feira (05), o presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, depois de tratar uma nova obstrução intestinal.
Desde 2018, ano que recebeu a facada na barriga, Bolsonaro já passou por seis cirurgias. Desta vez, assim como aconteceu há apenas seis meses, a cirurgia foi descartada.

Mesmo assim, o caso “foi perigoso”, de acordo com o médico responsável pela internação do presidente, o cirurgião Antônio Luiz Macedo.
Em entrevista ao GLOBO, Macedo conta o que levou à obstrução e o que deve mudar na rotina de Bolsonaro para evitar o problema.
O que causou a obstrução intestinal?
“O camarão que ele consumiu na véspera. Ele não foi mastigado. No caso dele, não mastigar muito bem os alimentos, aumenta o risco do problema.”
Desde 2018, quando levou a facada, o presidente tem sido internado com obstruções intestinais com frequência.
O que ele deveria fazer para evitar esse tipo de complicação?
“Caminhar absolutamente todos os dias. Meia hora de manhã, meia hora de tarde. Isso melhora o peristaltismo intestinal (os movimentos involuntários realizados pelo órgão que facilitam a digestão) e deverá ser feito para sempre. Deve mastigar 15 vezes os alimentos também.”
O que ele não deve fazer?
“Tem que evitar alimentos como carne, castanha de caju e amendoim, que formam um bolo que passa com mais dificuldade pelo intestino. Deve também evitar subir em caminhões ou lugares altos. Se o impacto de uma queda atingir a região fragilizada, que é o lado esquerdo na altura do umbigo, pode romper o intestino. Nesta semana especialmente os cuidados têm de ser ainda maiores. Aconselhei a dona Michelle (Michelle Bolsonaro) a botar um cadeado na moto dele. Não pode fazer força também por um bom tempo — a força pode fazer o abdome torcer.”
Logo depois da alta hospitalar, Bolsonaro afirmou que “vai ser difícil seguir” a dieta recomendada. E se ele não seguir? O risco de nova obstrução é considerável.
O tipo de obstrução que acometeu o presidente desta vez foi mais delicado em relação à última internação há seis meses?
“Foi menos grave. Ele se recuperou rapidamente. Mas não existe “pequena obstrução” no caso do presidente. O intestino está todo colado na parede devido a vários fatores — a própria facada, as cirurgias, os sangramentos e infecções já ocorridos. É sempre perigoso, portanto. Na hora que passamos a sonda nele, saiu um litro de suco gástrico do estômago. Se ele vomitasse o líquido entrava nos pulmões e ele morria.”
Se ele não tivesse procurado ajuda médica, corria risco de morrer?
“Não existe essa possibilidade de não procurar socorro médico. A dor é pavorosa. É como alguém bater com um martelo na barriga com força. O presidente é forte.”
Como o senhor foi comunicado sobre a nova obstrução intestinal?
“Ele me ligou chorando de dor. Falou “estou morrendo, Macedo. A coisa está ruim”. Mandei ele ir na hora para o Vila Nova Star, liguei para o Pedro (Pedro Henrique Loretti, diretor do hospital), que orquestrou tudo com muita competência. Quando cheguei, analisei a tomografia, os exames de sangue e toquei na barriga dele. Quando apalpei, vi que o intestino não estava rasgando e estava mais molinho. Foi muito bom. Porque qualquer cirurgia que for feita nessa região dificilmente vai durar menos de 12 horas.”





