
Na hora de assinar o protocolo de retirada de equipamento no jornal, me dei conta: “Eita, é Sexta-feira 13”, a editora, que também não tinha se dado conta da data antes, sugeriu: “A gente podia fazer uma matéria, né?” Segui para minha pauta que caiu, voltei para a redação pra continuar a outra pauta – que também caiu – e então comecei a pesquisar sobre as superstições que envolvem o dia de hoje pra matéria que, por acaso, acabei sugerindo.
A sexta-feira em si já carrega significados: os cristãos acreditam que Jesus foi morto em uma sexta-feira, e, um dia antes, teria reunido 12 apóstolos na Última Ceia – totalizando 13 pessoas. Na numerologia, o 12 é considerado completude: 12 apóstolos, 12 tribos de Israel, 12 signos do Zodíaco e 12 meses do ano, enquanto o 13 seria a irregularidade, o excesso. Além disso, no tarot, a carta 13 é considerada o símbolo da morte. O publicitário e estudante de cartomância, Arthur Vinícius, colocou as cartas para o dia de hoje e obteve que a sexta-feira 13 desse mês – a segunda do ano já que em janeiro também tivemos a data temida -, será um momento com energia de rompimento de padrões: “O dia vai representar pra muita gente uma nova abertura pra novos conhecimentos e as experiências serão para mostrar que é um momento perigoso para se manter uma ideia fixa”.
Na história, o episódio mais conhecido diz respeito à Sexta-feira 13 de 1307 quando, para conseguir o apoio da Igreja Católica, o rei Felipe IV tentou se aliar à ordem religiosa dos Cavaleiros Templários, e diante da negativa, perseguiu os cavaleiros provocando um massacre. No cinema, a data é marcada pelo aniversário do personagem serial killer Jason Voorhees, da série “Sexta-feira 13”, mas de acordo com o professor do curso de Cinema da UFPE, Rodrigo Carreiro, a data, por incrível que pareça, não é muito explorada pelo indústria cinematográfica: “A própria série de mesmo nome não tem muita relação com seu nome original e apenas o primeiro filme tem a maior parte da ação dramática ocorrendo numa Sexta 13. Mas há alguns filmes de horror interessantes que exploram de forma tímida essa simbologia: a produtora Hammer, inglesa, fez um título assim na década de 1950 (O Cão dos Baskervilles); e a onda de horror italiano dos anos 1960 também explorou com o filme “A Máscara do Demônio”.
Nos dias de hoje, os jovens parecem não ter medo da data: pelo facebook, fotos comemoravam o aniversário de Jason e depoimentos diziam que a superstição da sexta era só em caso de não ir para alguma festa – o que causaria sete anos de azar. Nas religiões também não é encontrado nada específico sobre a Sexta-feira 13. Para cultos de origem afro, ao contrário, a sexta é um dia de coisas boas. “É um dia de paz, a gente usa o branco e prega até abstinência sexual”, explica o mestre Afonso, do Leão Coroado. A filha de santo Carmem Virgínia, do terreiro Ilê Axé Ogbon Obá, concorda que a sexta nada tem de negativo: “É um dia de amor, dia de Oxalá, do Senhor do Bonfim”. A católica e médica Carmem Virgínia, nasceu em uma dessas sextas-feiras marcantes e garante: “Eu sou contrária a achar que é um dia de azar. Eu tenho o número 13 como algo que traz muita sorte, bom presságio e sou muito feliz tendo nascido numa Sexta-feira 13”.
Além de janeiro e de hoje, em julho também teremos uma Sexta-feira 13. Algo que chama atenção é que as três datas são separadas por exatamente 13 semanas. Será que algo especial acontecerá na última Sexta-feira 13 do ano?
Na hora de realizar essa pauta, eu, que nunca me vi colocando significados na data comecei a acreditar que Sextas-feiras 13 são mesmo dias de azar. Depois de duas pautas que não deram certo, na hora de escrever sobre hoje, ninguém atendia o telefone, nem tinha nenhum tipo de rito específico por conta da data, mas agora, quando tudo parece terminado, fico pensando que azar mesmo seria uma segunda-feira 13. Sexta é dia de festa, de amor.
11H