Duas pessoas morreram neste sábado em incidentes relacionados aos protestos que tomam a Venezuela há um mês e meio. As novas vítimas são de San Cristóbal e Maracaibo, informou o ministro venezuelano do Interior, Miguel Rodríguez, elevando para 39 o número de mortos na onda de violência derivada das manifestações convocadas contra o governo de Nicolás Maduro.
Segundo Rodríguez, depois que policiais retiraram os escombros que bloqueavam uma rua de San Cristóbal, cidade berço dos protestos antichavistas, três pessoas derrubaram um outdoor para voltar a fechar o acesso na via.
— Esse painel encostou em um cabo de alta tensão, e o cabo de alta tensão alcançou Franklin Alberto Romero Moncada, (um empresário) de 44 anos, que morreu eletrocutado, na hora — declarou o ministro ao canal estatal VTV, acrescentando que duas pessoas ficaram feridas, entre elas uma menor de idade.
Já em Maracaibo, capital do estado de Zulia, morreu o estudante Roberto Annese, de 30 anos. Segundo o ministro venezuelano, o jovem morreu quando manipulava uma arma de fabricação caseira.
— (…) Enquanto fazia uso desse lançador de morteiro, o lançador explodiu e causou sua morte — explicou Rodríguez.
Testemunhas, porém, contam que Annese foi morto a tiros supostamente por funcionários da Polícia Regional de Zulia e homens que integram os chamados “coletivos”, grupos motorizados ligados ao chavismo e responsabilizados por opositores como responsáveis pela repressão nos protestos.
Segundo relatos locais, homens em motos dispararam contra vários manifestantes que tentavam levantar barricadas numa rua do bairro de El Naranjal.
“Não queremos chorar mais pelo sangue derramado dos filhos da Venezuela. Justiça. Todo nosso apoio para os familiares do jovem Roberto Annese. Até quando o país se manchará com o sangue de nossos garotos? Basta”, escreveu a prefeita de Maracaibo, Eveling Trejo, em sua conta no Twitter.
Parentes e amigos da vítima protestaram com “panelaços” em repúdio à morte do estudante e à presença de grupos armados que agem no norte de Maracaibo. Depois, rezaram no local dos disparos.
Em uma nota à imprensa, o Ministério Público informou que as duas novas mortes serão investigadas.
Opositores e chavistas voltam às ruas em Caracas
Centenas de opositores voltaram às ruas de Caracas neste sábado contra a escassez de produtos básicos, a insegurança e a censura do governo, enquanto simpatizantes do chavismo caminharam até o palácio presidencial, protestando contra os danos causados pelas manifestações no país.
Levando cartazes com mensagens como “Procura-se óleo e açúcar” e “SOS estão nos matando por pensar diferente”, os opositores seguiram até a sede da Magistratura, no leste de Caracas, atendendo à convocação do Partido Vontade Popular. Seu líder, Leopoldo López, está detido desde 18 de fevereiro, acusado de instigar a violência nas manifestações.
— Prendem os estudantes que protestam, mas deixam os bandidos soltos. Estamos isolados e sem voz — disse o engenheiro Elías Jorge, que está desempregado.
Já os simpatizantes do governo, a maioria vestida de vermelho, marcharam pelo oeste de Caracas até chegar ao Palácio de Miraflores, protestando contra os danos que teriam sido causados pela oposição ao meio ambiente, ao usar árvores para bloquear ruas e estradas.
Rodrigo Torres, um tratador de animais de um zoológico do oeste caraquenho, recriminou “o corte de árvores para fazer ‘guarimbas’ (bloqueio de ruas)”.
— (…) Não concordo com a escassez, mas continuo marchando pelo que (Hugo) Chávez nos deixou — disse Torres.
Segundo a Procuradoria Geral, além dos 39 mortos, os protestos já deixaram mais de 550 feridos, e 81 investigações foram abertas por violações dos direitos humanos.







