Chico Buarque de Hollanda está para o futebol como Vinicius de Moraes estava para o uísque. A relação é constante, intensa e íntima. O esporte permeou uma série de canções do artista carioca, assim como foi tema central de crônicas e textos. A coincidência da chegada dos 70 anos em meio à Copa do Mundo soa como um presente. “Não tenho dúvida de que ele está acompanhando de perto cada lance do Mundial. Não perderia por nada”, comenta Wagner Homem, escritor responsável pelo conteúdo do site oficial do cantor.
A paixão pelo esporte fez com que Chico compusesse, entre várias outras músicas, O futebol, canção que simboliza como nenhuma outra a apreço do cantor pela pelada e os personagens que marcaram sua juventude. “Para Mané/Para Didi/Para Mané/ Mané para Didi/Didi para Pagão/Para Pelé e Canhoteiro”, diz um trecho. Chico é autor também do hino do Polytheama, time criado por ele há 35 anos e no qual dá vazão ao lado jogador três vezes por semana.
A sede da equipe fica no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e lá Chico recebe os amigos para divertidas peladas. Nem os 70 anos devem afastá-lo da atividade. Polytheama era o nome do time de futebol de botão criado pelo cantor na infância. Mais velho, conseguiu realizar o sonho de transformar as peças em atletas de carne e osso — ele, inclusive, que joga como meia-esquerda e está sempre atento à performance de seus colegas. As cores do Polytheama são o azul e o verde-limão, bem diferentes das do Fluminense, time do coração de Chico.
O compositor e violonista Guinga conhece o cantor desde o começo dos anos 1970, e garante: “Futebol é a coisa que ele mais gosta no mundo”. A música, segundo o amigo, ocuparia apenas o segundo lugar da lista de preferências do carioca. Foi exatamente quando Guinga começou a frequentar as peladas de Chico, ainda na década de 1980, que a amizade dos dois se fortaleceu. O campinho do Polytheama — sempre “verdinho e aparado” — foi palco de inúmeras conversas e os mais variados causos. “Mas boa parte deles é impublicável”, diverte-se o violonista.
O cantor Ruy Faria, ex-MPB4 e amigo de Chico há cinco décadas, também é habitué das partidas no Recreio dos Bandeirantes. “Toda semana, às segundas e quintas, eu estou lá. O resto do pessoal joga no sábado também”, detalha ele. Na turma, estão nomes como Hyldon, Sombrinha, Carlinhos Vergueiro e Jorge Vercillo. Ruy e Chico se conheceram por volta de 1964. Por oito anos, o compositor carioca não abria mão de ter o MPB4 acompanhando ele nos shows que fazia pelo Brasil. “A gente jogava desde essa época. Para a idade do Chico, ele joga muito bem”, elogia o amigo.
Peladeiro em Paris
Em Paris, onde os seus 70 anos serão festejados nesta quinta-feira, Chico frequenta os campos de grama sintética construídos pela prefeitura. O 70º aniversário, certamente, não o impedirá de bater uma bola. Como os nativos não são chegados a uma pelada, o cantor joga com os latinos e africanos residentes, conhecidos ou nunca vistos antes. Alguns deles mal sabem de que se trata de um dos mais conhecidos e admirados compositores do Brasil.
(Fonte: Diário de Pernambuco)







