RIO – A greve que atinge o IBGE desde 26 de maio impediu a divulgação da taxa de desemprego média no país em maio. O instituto divulgou nesta quinta-feira as taxas em apenas quatro regiões metropolitanas: Rio, que foi de 3,5% em abril para 3,4%; Recife, de 6,3% para 7,2%; Belo Horizonte, de 3,6% para 3,8%; e São Paulo, de 5,2% para 5,1%. Em Salvador e Porto Alegre, houve atraso na coleta e na análise dos dados.
Foi o primeiro impacto da paralisação deste ano nas pesquisas do instituto, mas não a primeira na história do instituto — em 2012, a taxa de desemprego em junho e julho daquele ano não foi divulgada no prazo predeterminado. Na ocasião apenas os dados do Rio não foram informados.
Desta vez, os funcionários pedem aumento do orçamento do órgão, contratação de 4 mil servidores e equiparação salarial a funcionários de outros órgãos. A presidente do ASSIBGE (sindicato dos funcionários do IBGE), Ana Carla Magni, afirmou nesta quinta-feira que a greve segue cada dia mais forte.
— Cada dia entram mais unidades e nosso esforço grevista segue forte. O IBGE passa por um momento crítico por decisões de gestão interna e pelo governo não ter enfrentado o quadro de esvaziamento de pessoal. (…) Mais e mais dados serão prejudicados se não for recomposto o quadro técnico e não tiver orçamento — disse.
Segundo o IBGE, os dados das regiões de Salvador e Porto Alegre serão divulgados posteriormente, o que permitirá o cálculo do desemprego médio nas seis regiões metropolitanas. No entanto, segundo o gerente da Coordenação de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, admite que há prejuízo para a qualidade dos dados.
— Não dá para dizer que não afeta a qualidade do dado, afeta. Quanto mais distante da semana de referência vai ter uma resposta que pode ter distorções — disse Azeredo.
Segundo ele, o trabalho de coleta já foi concluído em Salvador, mas segue um esforço para completar a coleta em Porto Alegre. Os técnicos do IBGE visitam os domicílios e perguntam sobre a situação na semana de referência da pesquisa em maio. Cimar afirma ainda que os dados da Pnad contínua também podem ser afetados pela greve.
No site, o instituto publicou a seguinte nota:
“Excepcionalmente, não estão disponibilizados os dados das Regiões Metropolitanas de Salvador e Porto Alegre. O atraso nas etapas de coleta, apuração, crítica, análise e avaliação da qualidade do dado coletado foi devido à paralisação dos servidores do IBGE, impossibilitando a divulgação completa na data prevista no calendário de divulgação. Posteriormente, em data ainda não definida, serão divulgados os dados completos do mês de maio incluindo as Regiões Metropolitanas de Salvador e Porto Alegre”.
Regionalmente, a taxa de desocupação ficou estável nas quatro regiões divulgadas frente ao mês de abril. Em relação a maio de 2013, houve queda de 1,8 ponto percentual no Rio e de 1,2 ponto percentual em São Paulo. O cenário em Recife e em Belo Horizonte foi de estabilidade.
Em abril, a taxa de desemprego no país havia ficado em 4,9%. O mercado de trabalho vem reduzindo sua capacidade de geração de vagas. É a redução da procura por trabalho que tem contribuído para o recuo da taxa de desemprego e não a expansão das vagas.
O quadro mostra que o mundo do trabalho começa a refletir sinais de desaceração da atividade econômica. No primeiro trimestre, a economia cresceu apenas 0,2% frente ao quarto trimestre de 2013. Pelos dados do Ministério do Trabalho, do Cadastro Geral de Empregos, foram criadas 58 mil vagas formais de trabalho em maio.
(Fonte: Jornal O Globo)







