O sonho do pernambucano Wagner Domingos em disputar uma Olimpíada começou 2016 a 4,46 metros de distância dele. Essa era a diferença entre a sua primeira marca oficial no ano, em fevereiro, 72,54 metros, e o índice olímpico para o lançamento de martelo, de 77 metros. O tempo era curto. Ele tinha até o dia 30 de junho para estabelecer a marca. Avançar tanto não seria tão simples. Mas ele estava certo de que iria conseguir. Neste domingo, quando o prazo já estava muito perto do fim, o sonho virou realidade. Aos 33 anos, Montanha foi além do exigido. Durante o Campeonato Nacional da Eslovênia, lançou 78,63 metros. É mais um atleta do estado nos Jogos Rio-2016.

Quando viu a marca ser confirmada, Montanha contou que caiu no choro. Correu em direção ao técnico Vladimir Kevo, o abraçou e chorou ainda mais. Foram muitos anos de trabalho duro. Agora, após tentativas frustradas de ir a Olimpíadas anteriores, enfim, o sonho estava realizado. “Corri para o meu treinador, abracei ele e chorei. Provei para mim mesmo que eu poderia conseguir o que estava desejando”, disse ao Superesportes, o atleta. “Não tenho palavras para demonstrar minha felicidade”.
A marca estabelecida por Montanha é mais um recorde brasileiro para a sua coleção.A novidade, agora, é que ele tem também a melhor marca sul-americana, superando os 76,42 metros do argentino Juan Ignácio Cerra, que datava de 2001. Além disso, o lançamento de 78,63 metros o coloca em terceiro lugar no ranking mundial. Apenas dois atletas no mundo lançaram além disso: o fenômeno polonês Pawel Fajdek e Dilshod Nazarov, do Tajiquistão.
Decidido a conquistar o índice para a sua primeira Olimpíada, Montanha decidiu fazer um planejamento diferente em 2016. Se nos anos anteriores ele passava temporadas curtas na Eslovênia em treinamento, desta vez, partiu rumo ao país no dia 31 de janeiro, só retornando ao Brasil para competir, em maio, no Campeonato Ibero-Americano. Passagem rápida, pois logo depois voltou para a Europa.
A evolução de Montanha foi notória. Se no início do ano o índice parecia distante, no decorrer das competições foi ficando cada vez mais palpável. O problema era o prazo curto. O Troféu Brasil, no dia 30 junho, seria a última chance de atingir a marca, mas ele queria fazer antes. Conseguiu neste domngo, num lance do destino, exatamente cinco anos depois da confirmação da cura de um câncer na bexiga. Ao lembrar do caso, ele escreveu no Facebook. “Deus não tira nada nosso, só nos prepara para algo muito maior”.
Wagner vem ao Brasil para competir no Troféu Brasil, mas não pretende desviar do seu planejamento. Após a competição, o pernambucano retorna para a Eslovênia para dar continuidade ao treinamento e à concentração. O foco, agora, é uma boa participação na Olimpíada. “Chego no Brasil no dia 27, mas depois volto para a Eslovênia. Vou continuar a preparação para os Jogos”, contou o atleta.






