Da Folha de Pernambuco
Grupos de caminhoneiros iniciaram neste domingo (25) atos em protesto contra sucessivos aumentos no preço do óleo diesel no país. As manifestações também buscam garantir a cobrança do piso mínimo do frete.
A mobilização começa a ser registrada após o CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas) convocar uma greve a partir deste domingo, quando é celebrado o Dia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas. Contudo, ainda não há clareza sobre a possibilidade de a paralisação ganhar corpo nos próximos dias.

As incertezas estão relacionadas ao fato de a categoria ser representada por entidades diversas no país. Nos últimos dias, o debate sobre uma eventual greve dividiu motoristas, já que nem todas as organizações manifestaram apoio ao movimento.
No fim da tarde deste domingo, ainda era possível ler em grupos de WhatsApp da categoria mensagens indicando dúvidas sobre o início da paralisação.
À Folha, o presidente do CNTRC, Plínio Dias, disse que caminhoneiros realizaram atos em pelo menos 15 estados, incluindo Paraná, Rio Grande do Sul e Ceará, ao longo do dia. Segundo o dirigente, os motoristas estacionam seus veículos em postos de combustíveis localizados às margens das rodovias.
Eles carregam faixas contra o aumento nos custos de transporte, mas não interrompem o tráfego nas estradas, acrescenta Dias.
Ele acredita que a mobilização tenda a ganhar corpo no início da semana, dando sustentação para uma greve. Dias, contudo, evita projetar quantos participantes o movimento poderia somar nos próximos dias.
“A categoria está achando um absurdo o aumento do combustível. A gente não sabe quando o preço vai aumentar. Quando percebe, já subiu. Tem a questão do frete também”, afirmou.
“A categoria já está aderindo [à paralisação]. Em pelo menos 15 estados o pessoal está se mobilizando. A gente encosta os caminhões em postos nas rodovias, estica faixas e vai chamando a galera”, completou.
A categoria deseja o fim do chamado PPI (Preço de Paridade de Importação) no cálculo dos combustíveis vendidos pela Petrobras. Essa política acompanha as variações de preços no mercado internacional e é afetada pelo dólar. A medida busca manter a petrolífera competitiva perante o mercado, mas pode encarecer os combustíveis e impactar o bolso dos caminhoneiros.
Ao final de junho, a Petrobras anunciou uma reunião com a diretoria do CNTRC. “O transporte modal rodoviário é muito importante para o Brasil. A Petrobras busca compreender os atores da sociedade, avalia a melhor forma de contribuir com todos eles e está sempre aberta ao diálogo”, disse na ocasião o presidente da estatal, general Joaquim Silva e Luna, em nota.
Em nota, na semana passada, o Ministério da Infraestrutura disse que CNTRC “não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo e que qualquer declaração feita em relação à categoria corresponde apenas à posição isolada de seus dirigentes”.
Os caminhoneiros também desejam a fiscalização dos preços de frete, que são tabelados e contam com um nível mínimo desde 2018, quando o então presidente Michel Temer (MDB) atendeu a essa demanda. Ainda hoje, a medida aguarda julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal).




