O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró presta depoimento na manhã desta quarta-feira na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. Ao iniciar sua apresentação, Cerveró fez questão de dizer que a análise para a compra da refinaria de Pasadena (EUA) foi demorada, e não feita apressadamente.
– O processo de compra foi bastante demorado e bastante analisado – afirmou Cerveró.
Cerveró optou por, até aqui, fazer uma apresentação técnica, observando que o plano de expansão da Petrobras no exterior, para refino, estava previsto no Plano Estratégico da empresa desde 2000.
– A compra da refinaria Pasadena estava perfeitamente enquadrada dentro do planejamento estratégico da Petrobras – afirmou.
O depoimento de Cerveró é aguardado com expectativa pelos parlamentares. Ele foi responsabilizado pela presidente da petroleira, Maria da Graça Foster, de ser o responsável pela elaboração de um laudo que teria levado o conselho de administração da empresa incorrer em erro na compra da usina de Pasadena, no Texas.
O presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, deputado Hugo Motta, informou aos membros da comissão que a assessoria da Petrobras, em informe nesta manhã, não confirmou a presença da presidente da Petrobras, Maria da Graça Foster, para prestar esclarecimento aos deputados na próxima quarta-feira, como havia sido combinado anteriormente.
Hugo Motta afirmou que, como presidente da comissão, vai aguardar até a próxima terça-feira à noite para que ela confirme ou não se irá comparecer. Caso não compareça, a comissão irá votar a convocação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Ao apontar o dedo para Cerveró, em seu depoimento ontem no Senado, Graça teve como objetivo poupar de embaraços a presidente Dilma Rousseff, quer presidia o conselho na época em que a transação foi feita.
– A compra da refinaria não foi um bom negócio – sentenciou Graça Foster ontem aos senadores.
Há cerca de 15 dias, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, afirmou que seu cliente havia encaminhado o estudo sobre a transação para a compra de Pasadena com 15 dias de antecedência para o conselho avaliar. A presidente Dilma disse que foi levada a erro por ele.
Os deputados querem saber se o ex-diretor internacional deu todas as informações ao conselho ou, como apontam o Palácio do Planalto e Graça Foster, fez um trabalho incompleto, levando o conselho a fazer um negócio que, nas palavras da própria presidente da empresa, foi prejudicial.
(Fonte: Jornal O Globo)







