Da Folha Pernambuco
Como uma possível terceira via na disputa à Presidência da República em 2022, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro fez seu primeiro gesto na direção de partidos do chamado Centrão.
Moro declarou que não se pode generalizar e que há “pessoas boas” no Centrão. Na semana passada, Moro se filiou ao Podemos e, nesta quarta-feira (17), anunciou que o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore é parte de seu grupo de conselheiros.

“Existe uma linha de princípio que há ética na política. Existem partidos e pessoas no Centrão que são pessoas boas. Não pode fazer essa generalização. Dentro de cada partido tem bons indivíduos que podem somar com projeto e diálogo republicano“, disse o pré-candidato à Bloomberg.
Conhecido por seu discurso anticorrupção, o ex-juiz da Operação Lava-Jato, avalia que “houve uma perspectiva de mudança (no país) e as pessoas se frustraram porque expectativas não se confirmaram“.
“Muita gente sente aquele espírito de desolação, de que está tudo perdido. Precisamos apresentar projetos que tenham credibilidade“, declarou Moro.
De acordo com a Bloomberg, Moro está disposto a conversar com políticos de todos os espectros, com exceção do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Lula, líder nas recentes pesquisas de intenção de votos.
O ex-ministro de Bolsonaro contou à Bloombreg que está conversando com outros pré-candidatos à Presidência, como os governadores João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e a senadora Simone Tebet (MDB), mas que ainda não definiu o perfil da chapa que deseja liderar: “O foco agora é a construção de um programa de governo”, disse.
Moro também tem apostado em assuntos como inflação, pobreza e o papel do Estado em um país extremamente desigual. Ele afirmou que acredita no livre mercado, disse que a inflação é um problema que precisa ser controlado com maior “credibilidade fiscal” e que empresas estatais ineficientes deveriam ser privatizadas.
Em relação à Petrobras, o ex-ministro disse que precisa estudar melhor a a situação da empresa. “A Petrobras tem acionistas privados, uma intervenção que vai gerar prejuízos aos interesses dos acionistas certamente vai levar a indenizações bilionárias. É preciso ter um estudo para analisar se cabe privatizá-la. Se sim, como seria esse modelo. Não são respostas absolutas”, declarou.
Apesar das críticas que sofre tanto de bolsonaristas, que o acusam de traição ao presidente, quanto de lulistas, que avaliam que ele foi parcial na condenação do petista, Moro garantiu que está pronto para a arena política:
“Eu não sou um novato. Tenho uma carreira que me precede em casos muito difíceis. Fui juiz da Lava-Jato, a maior operação de investigação contra a corrupção da história do Brasil. Se isso não me dá credibilidade e couro grosso, não imagino o que me daria“, finalizou.
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