O primeiro capítulo de Império, exibido na noite de segunda-feira (21), apresentou um novelão com ‘n’ maiúsculo. A essência da saga do Comendador José Alfredo, retirante pernambucano transformado em imperador dos diamantes no inóspito Monte Roraima, foi contada sem pressa nem pirotecnia.
De cara o telespectador foi apresentado ao milionário, vivido na fase atual por Alexandre Nero. Roupas sóbrias (ele só usará preto), cabelos, barba e bigode grisalhos, sotaque charmoso e nas mãos um pequeno rosário semelhante a um terço grego ou masbaha islâmico.
Na companhia da filha preferida, Maria Clara (Andréia Horta), ele sobrevoa de helicóptero a bela região de garimpo, no extremo norte do país. Em terra, visita o túmulo de pedras do homem que mudou seu destino, o negociador de diamantes Sebastião (Reginaldo Faria).
Flashback mostra a chegada do jovem José Alfredo, interpretado por Chay Suede, à casa do irmão, Evaldo (Thiago Martins), no Rio. Ao primeiro olhar o imigrante já se encanta pela cunhada, Eliane (Vanessa Giácomo). Os dois atores foram convincentes nas sequentes cenas de paixão. Apesar da velocidade do envolvimento, o sentimento entre os personagens era crível.
Ex-Ídolos e ex-Rebeldes, Chay Suede se revelou um ator seguro e carismático. Caracterizado com cabelão e barba por fazer, é impossível não rotulá-lo como galã, no sentido positivo do termo. Ele foi assertivo nas sequências dramáticas, quando descobre que Eliane desistiu de fugir, e também ao se ver sozinho diante de dezenas de garimpeiros, após matar um homem para garantir a própria sobrevivência.
Vanessa Giácomo, como de costume, seduziu o telespectador na pele da sensível Eliane. Infeliz no casamento, no qual nunca sentiu prazer sexual com o marido, ela se entregou ao cunhado de maneira delicada, como uma adolescente descobrindo o primeiro amor. Ao ser convencida pela irmã peçonhenta Cora (Marjorie Estiano) a não ir embora com José, a personagem mostrou a dor da renúncia e o medo inerente à submissão feminina.
Mas quem roubou a cena foi Marjorie Estiano. Ela construiu uma vilã invejosa, amarga, reprimida. Afundada em solidão, Cora se incomoda com a felicidade alheia. Adepta da cartilha do certo e errado, ela patrulha a vida da irmã como uma madre superiora. É a responsável por separar José e Eliane, e logo revelará — na fase a seguir, já interpretada por Drica Moraes — ter uma ambição ilimitada e um veneno impossível de ser neutralizado.
Na sequência final do capítulo, José Alfredo já está em Genebra, na Suíça, para negociar os diamantes comprados com dinheiro deixado a ele por Sebastião. Ali houve algumas liberdades dramatúrgicas. Como ele conseguiu o visto para viajar? De que jeito embarcou com tantas pedras sem despertar suspeita? Mas são detalhes que não comprometem a verossimilhança da trama.
Regina Duarte surgiu como Maria Joaquina, comerciante de joias que promete ao inexperiente e ambicioso forasteiro: “Vou te fazer um homem rico”. E assim será. Aguinaldo Silva mostrou, mais uma vez, que é mestre em apresentar suas novelas. Foi um capítulo empolgante para quem gosta do bom e velho folhetim. Uma história simples, nada revolucionária, mas com os ingredientes fundamentais para agradar aos noveleiros tradicionais: amor, ódio, traição, poder.
Com direção de Pedro Vasconcellos e André Felipe Binder e direção de núcleo de Rogério Gomes, Império estreou com média de 30.5 pontos de Ibope, de acordo com dados prévios. Índice inferior ao do primeiro capítulo das antecessoras. Porém, pelo que se viu nos 75 minutos exibidos ontem, a novela deverá recuperar boa parte da audiência perdida por Em Família. Promete ser a pedra preciosa que a Globo tanto procura para hipnotizar os fugidiços telespectadores no horário nobre.
(Fonte: Diversão Terra)







