Nesta sexta-feira (11), o UFC dará um passo importante em seu plano de expansão internacional. Pela segunda vez, a organização realizará um evento em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, com o discurso de que o Oriente Médio é um mercado alvo para o futuro próximo.
Há exatos quatro anos, no dia 10 de abril de 2010, o UFC desembarcou pela primeira vez na cidade com intenções ambiciosas. Duas disputas de cinturão, incluindo Anderson Silva, um dos maiores astros da história da organização, além de uma luta entre Matt Hughes, ex-campeão dos meio-médios, e Renzo Gracie, um dos atletas de MMA mais conhecidos em Abu Dhabi. Esses eram os indícios de um evento que tinha tudo para ser um marco para o Ultimate. Porém, o tiro acabou saindo pela culatra.
Na luta principal da noite, Anderson Silva exagerou nas brincadeiras e provocações para com seu desafiante, Demian Maia. Se nos primeiros rounds o campeão tinha o apoio da torcida, no fim, ouvia-se vaias e gritos que exaltavam Georges St. Pierre, então dono do cinturão dos meio-médios. Dana White, presidente do UFC, admitiu que aquele foi seu pior momento diante da organização até então. Contudo, demorou, mas o UFC enfim voltará a Abu Dhabi.
Mas por que é importante para o UFC prosperar no Oriente Médio? Abu Dhabi, bem como sua vizinha luxuosa, Dubai, há anos investe pesado para se tornar relevante para o mundo ocidental, através de eventos como o GP de Abu Dhabi de Fórmula 1, o Mundial de Clubes da FIFA (2009 e 2010) e a feira Mundial Expo 2020. Isso fortalecerá ainda mais o país como ponto atrativo para turistas de Europa e Ásia Oriental, que também são mercados-chave para o UFC.
Além disso, desde 2010, o UFC, tem como sócia minoritária a Flash Entertainment, de propriedade do sheik Tahnoon Bin Zayed Al-Nay Nan. Mais do que investir milhões de petrodólares no UFC, o herdeiro do monarca de Abu Dhabi é um grande aficionado por lutas. Ele é o criador do ADCC (Abu Dhabi Combat Club, um dos maiores eventos desubmission do mundo) e um dos grandes entusiastas do jiu-jitsu no Oriente Médio, que frequentemente “importa” diversos professores da arte suave do Brasil, além de ter colocado a modalidade como atividade obrigatória no currículo escolar do país. Portanto, há um mercado que cada vez mais está se familiarizando com lutas, e o UFC está fazendo de tudo para conquistar uma nova e fiel base de fãs.
Ilha artificial de ginásio é o maior ponto de modernidade de Abu Dhabi
Por mais que Dubai e Abu Dhabi sejam separadas por apenas cerca de 150 km e tenham planos semelhantes em ganhar notoriedade no mundo ocidental, as duas são cidades com características distintas.
A primeira é mais conhecida por sua infraestrutura que esbanja luxo e sofisticação, com construções como o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, e o Burj Al Arab, hotel luxuoso de sete estrelas. Abu Dhabi, por sua vez, é mais discreta. A cidade não dispõe dos mesmos pontos turísticos de sua vizinha, tendo como destaque monumentos mais tradicionais, como a Mesquita do Sheik Zayed, a maior mesquita dos Emirados e a oitava maior do planeta.
O grande atrativo de modernidade de Abu Dhabi é a ilha artificial de Yas. No local, estão algumas das instalações de destaque da cidade, incluindo o Ferrari World (único parque temático da Ferrari do mundo), o autódromo de Yas Marina (que recebe o GP de Abu Dhabi de F1), o parque aquático Yas Waterworld e, claro, a Du Arena, único palco do UFC a céu aberto até hoje.
Em tese, o caráter luxuoso e cosmopolita de Dubai representaria um cenário mais propício para o UFC. Porém, o planejamento visa ao longo prazo. Com o estouro da crise financeira mundial no final da década passada, a economia de Dubai sofreu sérias ameaças, o que permitirá a Abu Dhabi se consolidar cada vez mais nos próximos anos como a sede do poder e da riqueza dos Emirados Árabes, consequentemente servindo de terreno fértil para as ambições do UFC.
(Fonte: Super Lutas)









