O Papa Francisco recebeu pela primeira vez no Vaticano o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com quem abordou a crescente desigualdade no mundo e a luta contra a pobreza.
Obama visitou o pontífice argentino em seu escritório privado, no segundo andar do palácio apostólico, onde permaneceu por 50 minutos, uma duração excepcional e que indica a importância concedida ao encontro.
“Sou um grande admirador”, disse Obama, em inglês e com um sorriso, ao papa no início do encontro.
O primeiro papa da América recebeu de pé, na entrada de sua biblioteca privada e com uma certa formalidade, o presidente americano, que parecia emocionado ao encontrar Francisco.
“Welcome, mister president” (Bem-vindo, senhor presidente), disse o papa em inglês, idioma que não costuma falar.
“É maravilhoso poder conhecê-lo”, completou o presidente, que visita o Vaticano sem a esposa e as filhas.
O primeiro encontro entre os dois líderes, que gozam de notável popularidade nas redes sociais, aconteceu no escritório papal, com um sentado de frente para o outro, sem outras pessoas presentes, com exceção de dois tradutores, um religioso e uma mulher com uma pequena manta.
Durante o encontro, Francisco defendeu o “direito à vida” e à “objeção de consciência” para os católicos americanos em casos de aborto.
“Francisco e Obama abordaram questões particularmente importantes para a Igreja deste país (os Estados Unidos), como o exercício do direito à liberdade religiosa, à vida e à objeção de consciência”, indicou em um breve comunicado o serviço de imprensa da Santa Sé.
Por favorecer o reembolso por parte dos usuários de meios contraceptivos e da pílula abortiva, a reforma da saúde promovida pela administração Obama tem sido fortemente contestada pelos bispos americanos, que consideram tais medidas contrárias aos direitos religiosos.
Em várias ocasiões, com o apoio do Papa Bento XVI, antecessor do atual Papa, eles preconizaram a chamada objeção de consciência, incluindo o direito de recusar a realizar abortos.
Várias questões sociais foram tratadas neste encontro, que Obama gostaria de centrar na luta contra as desigualdades no mundo.
Neste sentido, o Papa e o presidente americano expressaram “seu compromisso comum com a erradicação do tráfico de seres humanos em todo o mundo”, segundo o comunicado do Vaticano.
O encontro entre Obama, Francisco e o secretário de Estado Pietro Parolin, encarregado da diplomacia, também serviu para discutir “temas internacionais atuais”, em uma atmosfera descrita como “cordial” pelo Vaticano.
De acordo com o comunicado, as duas partes também afirmaram a necessidade de que, “em zonas de conflito, o direito internacional e humanitário seja respeitado” e que “uma solução negociada seja encontrada”.
Ao fim do encontro, Obama apresentou a delegação que o acompanha, incluindo o secretário de Estado americano, John Kerry, e ocorreu a tradicional troca de presentes.
O papa entregou a Obama sua primeira exortação apostólica, “Evangelii Gaudium” (A alegria do Evangelho), publicada em 26 de novembro.
O presidente americano presenteou o pontífice, entre outras coisas, com uma caixa fabricada com madeira da catedral mais antiga dos Estados Unidos repleta de sementes procedentes da horta da Casa Branca.
Francisco, uma “inspiração” para Obama
Obama, que em 2009 se reuniu com Bento XVI, confessou que o papa Francisco é uma “inspiração”, em uma entrevista ao jornal italiano Il Corriere della Sera.
“Venho a Roma para ouvi-lo”, completou o presidente americano, antes de ressaltar que “o pensamento” do pontífice é “precioso para compreender como podemos vencer o desafio de combater a pobreza extrema e a desigualdade na distribuição de renda”.
“Com suas contínuas palavras sobre a justiça social, o pontífice nos adverte sobre o risco de nos acostumarmos às desigualdades extremas até o ponto de aceitá-las como algo normal”, disse Obama na entrevista concedida em Bruxelas, à margem da viagem que faz pela Europa e Oriente Médio.
“O papa nos desafia. Implora que recordemos das pessoas, das famílias, dos pobres. Nos convida a parar e a refletir sobre a dignidade do homem”, disse Obama.
Obama, que reconheceu que admira o papa argentino porque ele “não tem papas na língua” para denunciar o sistema econômico imperante no mundo, admitiu que os dois “não estão de acordo” sobre alguns assuntos, sem revelar quais.
Os dois podem ter abordado o tema da imigração ilegal nos Estados Unidos, que afeta 11 milhões de pessoas, incluindo muitos latino-americanos e que o papa argentino conhece muito bem.
Na quarta-feira, um grupo de latinos com filhos de nacionalidade americana solicitou ao papa, durante a audiência geral semanal, que intercedesse ante Obama para obter o fim da política de deportações que divide as próprias famílias e para a adoção da reforma migratória.
Roma foi literalmente blindada para a chegada de Obama, que permanecerá 40 horas na Cidade Eterna.
O presidente americano também se reuniu com o presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, e com o primeiro-ministro, Matteo Renzi.
Obama se declarou muito emocionado com o encontro com Francisco.
“Como muita gente em todo mudo, fiquei muito emocionado com a compaixão de papa e sua incrível mensagem a favor da inclusão social”, declarou ele em coletiva junto a Renzi.
Durante a tarde Obama visitará o emblemático Coliseu, fechado ao público para a ocasião.
(Fonte: Yahoo! Notícias)







