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Para debater crise, Dilma recorre a Lula

Por: em 31/03/2014 às 12h46 atualizado em 31/03/2014 às 12h46

dilma

A atual crise na Petrobras opõe, de forma direta, os governos Dilma e Lula. Ao tentar se livrar do desgaste de ter aprovado a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, quando era ministra da Casa Civil e presidia o conselho de administração da estatal, a presidente Dilma Rousseff acabou levantando suspeitas sobre a gestão de José Sergio Gabrielli, indicado para a presidência da empresa por Lula. Ao ser eleita, Dilma indicou para o cargo a atual presidente Graça Foster.

Ainda assim, a presidente se vê diante de uma situação inusitada: para enfrentar a crise provocada pelas denúncias contra a empresa, a presidente leva em conta os conselhos das pessoas de seu entorno, principalmente do ex-presidente Lula. A queda de sete pontos percentuais na popularidade do governo, de acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada na última quinta-feira, também fez com que a equipe do Planalto entrasse em alerta e buscasse no ex-presidente combustível para lidar com o momento político.

Lula acaba então fazendo o papel de bombeiro, trabalhando para tentar melhorar o ambiente, tanto com empresários quanto no próprio PT. Antes mesmo de estourar a crise que envolve os diretores da Petrobras durante o governo Lula, o ex-presidente dava mostras de impaciência e vinha criticando reiteradamente o estilo de Dilma. O ex-presidente costumar dizer que ela tem que conversar mais, mediar, fazer mais política, ouvir. Para o petista, ela conversou pouco com o setor produtivo – que tem reclamado muito do governo – e os com movimentos sociais.

Um efeito prático da turbulência enfrentada por Dilma é a mudança na articulação política do governo, um dos principais motivos de queixa tanto do PT quanto dos partidos da base aliada. O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), apadrinhado pelo ex-presidente Lula, assumirá o Ministério das Relações Institucionais, na próxima terça-feira, no lugar de Ideli Salvatti. Suas principais tarefas serão conter a rebelião da base aliada na Câmara, onde tem bom trânsito, e administrar a CPI da Petrobras.

(Fonte: Jornal O Globo)

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