O critério de classificação à Copa Sul-Americana atrelado a uma eliminação precoce na Copa do Brasil recebe críticas do blog desde a divulgação da CBF, em 3 de agosto de 2012. Sobretudo pelo interesse local, com participações pernambucanas desde 2013, com Sport (3) e Náutico (1). Porém, a discussão demorou a ganhar amplitude na imprensa nacional, fazendo com o que o modelo antidesportivo passasse quase à margem. Em 2015, pela primeira vez houve a discussão para mudança, que poderia resultar na escolha prévia. Afinal, nenhum clube, que tenha o interesse de jogar a Sula, aceita a ideia de perder na Copa do Brasil, inclusive para rivais bem inferiores tecnicamente.

Por uma questão de calendário no segundo semestre, consequência de uma briga entre emissoras de tevê (Fox e Globo), os torneios acabaram com datas simultâneas a partir das oitavas de final. Era preciso que algum clube se posicionasse oficialmente contra o critério. Escalar reservas, por mais óbvio que fosse o objetivo, já não era suficiente. Por isso, a postura do Sport merece elogios. O Leão emitiu uma nota oficial escolhendo a Sul-Americana, se indignando contra o sistema vigente e deixando claro como irá encarar a Copa do Brasil, com uma equipe Sub 20. Em itálico, destaco alguns pontos.
“Diante de um regulamento arcaico, que obriga os clubes a em determinado momento optar entre a permanência nessa competição brasileira ou a participação na Copa Sul-Americana, a Diretoria do Leão vem a público anunciar que irá priorizar a busca pelo título internacional.”
Na visão do blog, decisão leonina foi acertada. Os leitores que acompanham o blog há algum tempo já devem ter visto postagens do tipo, algumas com hiperlinks neste texto. A última delas, em 2015, você pode acessar aqui.
“Tal decisão baseou-se no planejamento estratégico do Clube para 2016 que, além de ter como meta prioritária o Campeonato Brasileiro Série A, visa ainda a conquista de um título internacional. É importante ressaltar que a opção pelo torneio sul-americano não causará mudança no planejamento financeiro, já que a Copa do Brasil e a Sul-Americana se equivalem neste quesito.”
A Copa do Brasil tem um peso enorme na história rubro-negra, com a segunda estrela dourada oriunda da taça de 2008. Justamente por ter esse título, um troféu num contexto internacional inédito (para todo o Nordeste) seria essencial para um novo patamar – dando quatro vagas em 2016: Sula, Libertadores, Recopa e Suruga. Quanto à premiação, o blog já comprovou isso, uma vez que a Sula paga em dólar. Levando em conta as cifras quando os torneios se “juntam”, a premiação da Sula pagou US$ 2,235 milhões ao campeão em 2015, ou R$ 8 milhões (cotação de R$ 3,61) – a Conmebol já confirmou que haverá aumento em 2016. O mata-mata nacional paga R$ 9 milhões.
A grande questão é a receita nas três primeiras fases do torneio nacional, com o Sport podendo acumular até R$ 1,56 milhão. Já ganhou R$ 420 mil, podendo arrecadar mais R$ 480 mil (2ª) e R$ 660 mil (3ª). Ou seja, uma campanha apenas financeira, pois tecnicamente o caminho já está traçado.
“O Sport ressalta que, na reunião do Conselho Técnico da CBF do ano de 2015, propôs que a opção fosse exercida de maneira clara em prazo anterior às duas competições, proposta acatada pela unanimidade dos clubes da série A e, em tese, então aceita pela CBF. Para surpresa de todos, porém, a CBF manteve, em 2016, a regra antidesportiva e antiética de eliminação da Sul-Americana do clube que ultrapassar a 3ª. Fase da Copa do Brasil.”
Até 16 de março de 2016 havia a dúvida sobre o critério, mas a CBF acabou mantendo o esdrúxulo formato após a divulgação do regulamento da Série A, a base para as vagas internacionais. A desvalorização da Copa do Brasil, até as oitavas, será proporcional à quantidade de clubes com posições semelhantes a do Sport. Ou seja, até oito, abrindo caminho para times sem muita visibilidade, estendendo o prejuízo a quem investe, a própria tevê, com jogos de menor porte.
Ao escolher em abril a Sul-Americana, o Sport evita o desgaste na prévia do torneio, como a possibilidade de escalações mistas, gerando, inclusive, um desinteresse da própria torcida sobre a campanha. A causa foi abraçada de vez.





