O presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, anunciou o relançamento da operação antiterrorista no Leste do país nesta terça-feira, após o corpo de um político de seu próprio partido ser encontrado com marcas de tortura.
Turchinov afirma que vários corpos com sinais de “torturas bárbaras” foram descobertos perto da cidade de Slaviansk, controlada atualmente por forças pró-russas. Um desses corpos era de Volodymyr Rybak, membro do Partido Batkivshchyna, que havia sido sequestrado recentemente. Enquanto as tensões se intensificam, milhares de pessoas compareceram ao funeral de três homens mortos durante um tiroteio contra um posto de controle ocupado por separatistas pró-Moscou em Slaviansk, no domingo.
A presença maciça na cerimônia fúnebre fortalece a resistência de Slaviansk às autoridades de Kiev. A cidade tornou-se o centro do movimento federalista e separatista pró-Rússia na região mineira e industrial do Leste da Ucrânia. Moscou reagiu ao incidente de domingo culpando o grupo nacionalista paramilitar ucraniano “Setor Direito”. Já os ultranacionalistas de direita da Ucrânia negaram ter realizado o ataque, e atribuíram às forças especiais russas.
A carga emocional do funeral em Slaviansk foi intensa. Os caixões descobertos com os corpos de Sergei Rudenko, Alexandr Sigalov e Pavel Valenko foram colocados no centro da catedral, a poucos metros da estátua de Lênin e da prefeitura ocupada por forças pró-Moscou.
A crise na Ucrânia desencadeou uma guerra verbal entre Kiev e Moscou.
Oleksander Turchinov, por sua vez, acusou a Rússia pela tortura de Volodymyr Rybak.
— Estes crimes estão sendo realizados com o completo apoio e indulgência da Federação Russa — disse o presidente interino. — Peço às agências de segurança que relancem e realizem medidas antiterroristas, com o objetivo de proteger os cidadãos ucranianos que moram no Leste do país dos terroristas.
Já o primeiro-ministro Arseni Yatseniuk denunciou a presença de tropas russas no Leste do país. Segundo Yatseniuk, o objetivo dos soldados russos é atrapalhar as eleições, marcadas para o dia 25 de maio. Após um encontro com o vice-presidente americano, Joe Biden, o premier ucraniano pediu a Moscou que retire suas tropas do país.
Na véspera, o jornal americano “New York Times” publicou fotos cedidas pelo governo ucraniano e avalizadas pelo Departamento de Estado mostrando semelhanças entre pessoas, equipamentos e uniformes usados na ocupação de prédios públicos ucranianos e as forças russas.
(Fonte: Jornal O Globo)







