
Por: Naedja Ferraz
No dia 28 de abril é comemorado o dia nacional da Caatinga, bioma este muito pouco conservado e ao mesmo tempo tão rico em meio a sua biodiversidade. “A Caatinga apresenta uma extensão territorial bem ampla ocupando uma área de cerca de 844.453 quilômetros quadrados, o equivalente a 11% do território nacional. Engloba os estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais. Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na região, a maioria carente e dependente dos recursos do bioma para sobreviver.”
Devido a esta carência a exploração desnorteada favorece a depredação do ecossistema, ocasionando graves consequências muitas vezes irreparáveis, como a ameaça de extinção de espécies raras, endêmicas, ou seja, que só é encontrada neste bioma e em nenhum outro lugar no mundo. Desta forma, o manejo sustentável é de fundamental importância para que possamos conviver com este bioma tão rico e diverso sem comprometer as gerações futuras que dependerão dele para sobreviver.
Dentre as espécies popularmente conhecidas da flora da Caatinga, podemos destacar: Umbuzeiro, Catingueira, Angico, Pau-ferro, Juazeiro, Jurema-preta, Coroa de frade, Mandacaru, Xique-xique, Umburana de Cambão (ameaçada em extinção), Aroeira e tantas outras. Da mesma forma, a riqueza de espécies da fauna não é diferente, existe uma diversidade bastante acentuada, como é o caso do: tatu-bola, raposa cinza, seriema, tamanduá-mirim, asa branca da famosa música do saudoso Luiz Gonzaga Rei do Baião, Preá, Cotia, Macaco – prego, Carcará, Jacaré-de-papo-amarelo e tantos outros bichos.
Você já se perguntou por que algumas espécies perdem as folhas em épocas de seca? Por que a maioria das plantas apresentam folhas pequenas? Por que o nome da Caatinga significa Mata branca? Estas e outras perguntas surgem a partir do modo como as plantas e animais sobrevivem em meio à escassez de água e outras condições. A Caatinga ao longo do processo evolutivo fez adaptações para resistir por anos e anos e hoje apresenta da forma que tem: planta espinhosa, folhas pequenas, reserva de água (as famosas cuncas nas raízes dos umbuzeiros), tudo isso para sobreviver em tempos de seca. O nome Caatinga deriva do Tupi Guarani que significa Mata branca, em função de na época de seca elas perderem suas folhas e sobreviverem em estado de latência, aparentemente mortas, mas tudo faz parte de uma estratégia que elas, as plantas, criam para manterem-se vivas por longos períodos de seca. Mas aí vêm as chuvas e “bum” uma explosão de vida, onde as planta que estavam aparentemente mortas, ressurgem dando vivacidade ao bioma com suas tonalidades de verdes encantadoras e pássaros cantarolando sem parar.
Vale ressaltar que a memória da celebração do bioma referido não deve ser somente comemorada apenas no dia 28 de abril, mas sim todos os dias, pois dele dependemos e precisamos conhecê-lo sempre mais. Para isso, faz necessários mais investimentos e incentivos à pesquisa, muito embora sejamos contemplados com Instituições que estudam, pesquisam e aprimoram na descoberta de novas espécies, em manejos mais apropriados, e alimentando o banco de dados com informações valiosas a respeito do mesmo, ainda sim, se torna indispensável o conhecimento do bioma supracitado.
Associado à obtenção de conhecimentos científicos, a cultura dos homens do campo popularmente conhecidos como os mateiros, são peças fundamentais no conhecimento empírico que é passado por gerações e gerações. As plantas da Caatinga também apresentam grandes potenciais medicinais auxiliando na prevenção de diversas doenças e que ao longo do tempo a comunidade rural passou a conviver com o bioma de uma forma harmônica em que muitos que habitam nestes ambientes conseguem compreender e lhe dar perfeitamente bem as respostas que as plantas e animais oferecem.
Por outro lado, a Caatinga carece de leis mais consistentes quanto a sua preservação e conservação de áreas significativas, tendo em vista a sua diversidade de espécies. Para tanto, medidas deverão ser tomadas, principalmente quando não se detém ainda de muitas informações, muito embora já seja comprovado cientificamente a sua alta importância biológica. Assim, pode-se sugerir: criação de Unidades de Conservação, conservação de recursos naturais, fiscalização do uso ilegal de madeiras nativas para confecção de carvão; da caça de animais nativos; tráfico de animais silvestres e tantas outras ações.
Pensar que podemos preservar com ações diárias por menores que sejam já causam grandes impactos positivos, principalmente quando Instituições e Entidades possuem a “Ciência” ao nosso favor, disseminando informações úteis que favorecem a obtenção do conhecimento do nosso Bioma tão diverso e ao mesmo tempo misterioso! (N.M.S.Ferraz)





