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Ataque de Boston preocupa governo para a Copa das Confederações

Por: em 17/04/2013 às 15h24 atualizado em 17/04/2013 às 15h24

Os ministérios da Justiça e da Defesa, responsáveis pelo planejamento da segurança da Copa das Confederações, que começa em 15 de junho, em Brasília, veem com “preocupação” os ataques ocorridos durante a maratona de Boston, nos EUA, que deixaram 3 mortos e 176 feridos na segunda-feira (15).

Duas bombas caseiras poderosas explodiram na linha de chegada da maratona, no centro da cidade americana. O FBI assumiu a chefia da investigação, mas afirmou que ainda não tem ideia da autoria ou da motivação do ataque, que foi classificado como um “ato de terror” pelo presidente americano Barack Obama.

Segundo os ministérios brasileiros, por enquanto, não haverá mudança no planejamento feito para os grandes eventos esportivos que serão realizados no país, pois, na avaliação do governo, o que está previsto “segue no caminho certo”. Mas haverá reforço na preparação, na inteligência e na prevenção de incidentes com explosivos ou envolvendo grupos extremistas.

“Será mais um motivo para nos preocuparmos, ficarmos em alerta”, diz o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior conjunto do Ministério da Defesa e que comanda Marinha, Aeronáutica e Exército. Na avaliação dos militares, porém, “o risco de algo ocorrer no Brasil é menor”, devido às relações de amizade que o Brasil possui com os mais diversos países.

“O que ocorreu em Boston foi lamentável e um fator de preocupação, por isso estamos acompanhando bem de perto o andamento das investigações do FBI. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) analisa vários fatores e, atualmente, o risco de um atentado durante a Copa das Confederações é baixo, mas isso pode variar a qualquer momento, dependendo dos acontecimentos”, diz José Monteiro, diretor de operações da Secretaria Extraordinária de Segurança para os Grandes Eventos (Sesge).

A pasta, subordinada ao Ministério da Justiça, coordena a interação entre órgãos de segurança pública estaduais, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal com o Ministério da Defesa e a Abin. “O plano estratégico do governo dividiu a segurança em três eixos: ameaças externas, proteção de portos, aeroportos e fronteiras, e ameaças internas. Com isso, conseguimos ter uma visão transversal em tempo real de qualquer atividade extremista que possa estar se movimentando”, acrescenta Monteiro.

“Tomaremos ações para mitigar riscos ao máximo. Com informações de vários países, estamos construindo um banco de dados de suspeitos. Haverá reforço na fronteira e estamos adquirindo tecnologias que permitirão monitorar em tempo real comitivas, hotéis, estádios. Faremos vistorias em busca de explosivos em estádios e locais que abrigarão delegações. Temos grupos policiais em todos os estados prontos para isso”, disse.

Divisão de tarefas
Em 4 fevereiro, um acordo entre os dois ministérios definiu quais seriam as responsabilidades dos ministérios da Justiça e da Defesa durante a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas, de 2016. Pelo documento, a coordenação de medidas ligadas ao terrorismo ficará com o Exército, que também será responsável pelo contraterrorismo, segundo o Ministério da Defesa. Já a PF, com apoio da Abin, cuidará do antiterrorismo.

Conforme a estratégia, polícias militares e civis dos Estados não atuarão especificamente em antiterrorismo e contraterrorismo, podendo colaborar, entretanto, caso tenham informações relevantes sobre o tema ou sejam acionadas pela coordenação.

A Revista Brasileira de Inteligência define antiterrorismo como medidas preventivas e defensivas para investigar, conseguir informações de inteligência e identificar possíveis vulnerabilidades que facilitem atentados. Já o contraterrorismo define as medidas ofensivas, como ataques pontuais a grupos inimigos, com objetivo de prevenir, dissuadir ou retaliar seus atos.

“Em que pese o Brasil ser um país pacífico, terrorismo é um assunto que precisa ser visto com seriedade e responsabilidade”, disse ao G1, em maio do ano passado, o general Mario Lucio Alves de Araujo, do Estado Maior do Exército.

Até a definição do governo, havia nos bastidores uma disputa em relação a quem caberiam as responsabilidades de coordenar ações contra terror, por conta do repasse de recursos.

Desde que houve a definição, a Brigada de Operações Especiais (BdaOpEsp), unidade de elite do Exército, começou um “mutirão” para treinar seus profissionais e passou a ter maior autonomia, passando a ser chamada de Comando de Operações Especiais (COE).

Segundo o Ministério da Defesa, a unidade, que até então contava com um grupo reduzido para ações deste tipo, formará profissionais para empregar nas seis cidades que sediarão a Copa das Confederações e nas 12 sedes da Copa do Mundo.

Na reunião que selou o acordo, em fevereiro, o comandante da BdaOpEsp, general Marco Antonio Freire Gomes, mostrou aos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, o plano contra terrorismo da Copa das Confederações. “(os militares) Serão responsáveis pelo monitoramento e por ações contra terroristas que porventura venham a ocorrer no âmbito das competições”, disse ele na ocasião, segundo o Ministério da Defesa.

Em 2012, o Ministério da Justiça patrocinou 20 cursos para preparar policiais para os grandes eventos, investindo R$ 17 milhões. Dois deles, realizados em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos, foram para pronta-resposta a atos terroristas e tiveram a presença de 89 policiais militares e civis e bombeiros dos estados que serão sede da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. A pasta diz que os cursos foram feitos antes da definição de que terrorismo ficará sob responsabilidade do Exército, mas que o aprendizado é para prevenção, que é responsabilidade da segurança pública. (G1)

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