O aumento no número de casos e de internações por Covid-19 nos hospitais públicos e privados de São Paulo, acendeu um alerta das autoridades de saúde para um período crítico que se aproxima: o das confraternizações e festas de fim de ano.
De acordo com os especialistas, não existe dúvida de que essa alta dos casos ocorreu por conta de um maior relaxamento das pessoas em relação às medidas de segurança e a ida a bares, festas e grandes aglomerações, como o luau que reuniu 2.000 pessoas no Arpoador, no Rio, no fim de semana.

“Mobilidade está relacionada a um aumento de maior transmissão comunitária. Houve um relaxamento progressivo em difernetes lugares, e esse aumento dos casos e das internações está refletindo isso”, diz o infectologista Esper Kallás, professor da USP.
Para ele, a situação colocará um novo desafio pela frente e as instituições de saúde precisam se preparar para elevar a capacidade de atender pacientes infectados.
“Ainda não dá para prever a magnitude desse desafio, depende de cada região. A região metropolitana de São Paulo ficou em onda pandêmica por nove meses. Agora estava começando cair numa boa velocidade, porém inicia uma inflexão para cima de novo.”
O epidemiologista Paulo Menezes, que é parte do comitê de contingenciamento do governo paulista, afirma que se esse comportamento das pessoas permanecer, em breve haverá reflexo também no número de óbitos.
“Existe uma banalização especialmente entre os adultos jovens que estão indo para festas e baladas não permitidas. O que eles não sabem é que se trata de uma roleta russa [morrer ou não de Covid-19]”, ressalta ele.
De acordo com Menezes, se os casos continuarem aumentando, haverá grande pressão sobre o sistema de saúde, em um momento em que os leitos públicos voltados para a Covid-19 estão sendo desativados. Nas últimas semanas, mais de mil foram fechados no estado de São Paulo.
Ao mesmo tempo, a rede privada registra grande ocupação de leitos por pacientes de outras especialidades que adiaram cirurgias e outros procedimentos no auge da pandemia e que, agora, voltaram a procurar os hospitais.
Na opinião do epidemiologista, se a alta permancer, será necessária uma maior restrição de circulação. Por exemplo, as regiões na fase verde voltariam para a amarela, em que há horário reduzido e menor capacidade de ocupação em comércio, bares e restaurantes.
“É um momento bastante preocupante. Precisamos voltar ao distanciamento que vinha sendo observado até um mês atrás”, afirma Menezes. Via FolhaPress





