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Eduardo Campos está na oposição, diz José Dirceu

Por: em 18/04/2013 às 00h25 atualizado em 18/04/2013 às 00h25

zedirceu

Na manhã quarta-feira (17) o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, petistas histórico, cumprindo seu terceiro e último dia de agendas em Pernambuco, realizou palestra na Câmara Municipal de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Na ocasião, Dirceu voltou a repetir que o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, “tem o direito” de se candidatar” à Presidência da República, apesar de se declarar aliado da atual presidente, Dilma Rousseff (PT). No entanto, não deixou a oportunidade de fustigar o pernambucano, afirmando que Eduardo já estaria no campo da oposição.

“Tudo indica que ele tomou a oposição ao nosso governo. Ele está deixando claro que ele está fora do nosso campo”, disparou, em contraponto ao discurso de Eduardo, que afirma que as críticas disparadas ao governo Dilma são construtivas, como conselhos de um aliado. Mas evitou fazer mais juízos de valor às movimentações de Eduardo Campos. “Ele vai ter que fazer as opções dele”, disse.

Nos últimos dois dias de agendas em Pernambuco, Dirceu afirmou que a candidatura de Eduardo Campos “interessa à direita” e ainda alfinetou o socialista, dizendo que “Pernambuco também pode mais”, em ironia ao discurso de Eduardo de que o “Brasil pode mais”. Mas José Dirceu diverge dos petistas que chamam Eduardo Campos de “traidor” de Lula. “Ele tem todo direito [de disputar a eleição presidencial em 2014], é legítimo. Em 2002 [Anthony] Garotinho e Ciro [Gomes] se candidataram a presidente, também. E integraram o nosso campo aliado”.

Confiante na reeleição de Dilma, José Dirceu afirma que “não vai ser fácil”. Mas aposta numa base de pelo menos 45% de votos para a petista no primeiro turno. Pelos cálculos dele, Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (tentanto viabilizar a Rede) devem disputar 45% dos votos.

O fortalecimento do nome de Eduardo Campos, inclusive, estaria sendo incentivado pelo campo da oposição, não numa movimentação em prol do socialista, mas numa tentativa de dividir a base de sustentação do atual governo. “Eles estão querendo dividir o nosso campo”, afirmou. “Está visível isso”. Mas, para Dirceu, a “esquerda” também tem culpa no crescimento da “direita”. Os esquerdistas teriam relaxado após alcançar o poder, em 2002, com a eleição de Lula. E alertou para o “perigo” desse relaxamento.

“Nosso nível de organização, que derrubou a Ditadura Militar e o governo Collor, está nos fazendo falta hoje”, bradou. “Precisamos elevar o nível do nosso debate político-eleitoral. Cada dia a direita fica mais radical. E estamos perdendo o debate com eles. A esquerda brasileira precisa evangelizar, disputar com as ‘forças do mal’, as forças não-populares. Estamos percorrendo o País com atos por isso, para dialogar, para levar a nossa mensagem”.

A mídia, diz Dirceu, teria fundamental papel no fortalecimento da direita e enfrentamento ao PT, tentando plantar crises no governo e, por diversas vezes, até mentindo. “Antes foi o apagão. Disseram que corríamos um risco de apagão, mas não era verdade. Foi provado que não era verdade. Já não se fala mais disso. Agora é a Petrobrás, que estava sendo preparada havia anos para ser privatizada. Dobramos o investimento na empresa e agora querem vender uma crise na Petrobrás”, reclamou, clamando mais uma vez um levante por uma maior conscientização social. “Nível de consciência política é algo que acontece a longo prazo”. E a regulação da mídia, para ele, tem fundamental papel nisso.

“Na Europa se faz regulação. No Canadá e agora no México se faz regulação, para acabar com o monopólio midiático. Mas aqui [no Brasil], se fizer, é censura. Querem regulação para controlar a entrada capital estrangeiro para a mídia brasileira, para proteger as empresas daqui. Mas regulação interna ao País eles não querem”, reclamou. (Jamildo)

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