Por Paulo César Nascimento
Igreja Batista Missionária em Serra Talhada, Pernambuco
Nesses últimos dias, por ocasião da pandemia do coronavírus (COVID-19), temos percebido, visto, assistido e ouvido, especialmente via redes sociais, diversas opiniões e comentários, por parte de alguns cristãos que transitam entre dois extremos.

De um lado, existem aqueles que minimizam, subestimam e até ignoram os riscos e perigos que essa pandemia representa para a saúde pública, para integridade física da população. Alguns até usam o nome de Deus, a Bíblia e textos fora do seu contexto para espiritualizar essa situação e, infelizmente, ainda que indiretamente, incentivar outros a não tomarem os devidos cuidados e precauções. Diante disso, precisamos lembrar que o cuidado e a proteção de Deus que nos são garantidos nas Escrituras não anulam a nossa responsabilidade de agirmos para minimizar situações e nos mobilizarmos para nos proteger e protegermos outros. A mesma Escritura que nos encoraja a confiar em Deus em tempos difíceis é a mesma que nos orienta a sermos prudentes e precavidos. Durante o período da reconstrução dos muros de Jerusalém, sob a liderança de Neemias, diante das ameaças de inimigos externos, vemos o caminhar juntos da oração e confiança em Deus com os cuidados e as precauções por
parte de um líder (Ne 4.12-23).
Neemias tomou as devidas providências que estavam ao seu alcance, sem deixar de confiar no agir de Deus em favor do seu povo. Ao tomar conhecimento da grande seca e dos tempos de fome que viriam sobre o Egito e o mundo conhecido da época, José aconselhou o Faraó a se prevenir e se mobilizou para armazenar mantimentos para que, quando esse período chegasse, eles estivessem preparados para enfrentá-lo (Gn 41.32-36). Ao fazer isso, José não estava mostrando falta de confiança em Deus; muito pelo contrário, ele agiu com prudência e precaução exatamente porque confiava no seu Deus. Portanto, povo de Deus, diante dessa pandemia, façamos a nossa parte! Façamos aquilo que está ao nosso alcance!
Sigamos as orientações e determinações dos órgãos oficiais do Governo (Federal, Estadual e Municipal). Cuidemos da higiene pessoal. Evitemos qualquer aglomeração de pessoas (inclusive em nossos templos). Tenhamos cuidado redobrado com os nossos idosos. Fiquemos o máximo possível em nossas casas. Ao fazermos tais coisas não estaremos demonstrando falta de fé, mas apenas agindo com a prudência e a sabedoria esperada da parte daqueles que “temem ao Senhor”. Sem falar que estaremos agindo como bons cidadãos e contribuindo para o bem de toda a sociedade.
Todavia, por outro lado, existem aqueles maximizam e superdimensionam tanto o que está acontecendo, que parece que as coisas estão totalmente fora de controle. E, com isso, estão provocando e entrando em desespero e pânico.
Como cristãos, somos desafiados a confiar no governo e controle soberano de Deus sobre todas as coisas, sobre as tragédias, sobre as guerras, sobre as pandemias que tem ocorrido ao longo da história, inclusive em nossa história recente. Sendo assim, como povo de Deus, nesse momento crítico que o mundo está vivenciando, precisamos
lembrar duas verdades fundamentais:
(1) A ocorrência de epidemias está prevista nas Escrituras Sagradas. Jesus deixou muito claro que “grandes terremotos, epidemias (Gr. loimoi) e fomes em vários lugares” (Lc 21.11) seriam sinais que antecederiam o tempo do fim. Em Apocalipse 6.8, com a abertura do quarto selo, entra no palco da história um cavalo amarelo onde o seu cavaleiro é claramente identificado como “Morte”, o qual recebe “autoridade” sobre a “quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade (pestes ou doenças) e por meio das feras da terra”. Portanto, essa atual pandemia do coronavírus (COVID-19) não deve nos causar estranheza. Não estamos diante de algo sem precedentes na história que nos pegou completamente de surpresa e desavisados. Estamos diante de um momento, em termos gerais, previsto e predito pela Palavra de Deus. Vale salientar ainda que isso é a penas “o princípio das dores” (Mt 24.8), “ainda não é o fim” (Mt 24.6c; Lc 21.9).
(2) O Cordeiro de Deus, o Senhor da História, controla todos os processos históricos, inclusive as epidemias. O capítulo 5 de Apocalipse apresenta o “Cordeiro que foi morto” como o único, em todo o universo, digno, apto, capaz de tomar o livro do “destino” em suas mãos e conduzir a História da humanidade e do povo de Deus a um desfecho dramático e glorioso (Ap 5.1-7). No capítulo 6, com o rompimento dos quatro primeiros selos, o Cordeiro autoriza a entrada de quatro cavalos e seus respectivos cavaleiros no palco da história. A mensagem central que está em evidência é: Nada nem ninguém pode agir na história sem a devida autorização do Cordeiro. Guerras e rumores de guerras (cavalo vermelho), fome e escassez de alimento (cavalo preto), bem como a morte pelos mais diversos meios (cavalo amarelo), inclusive por pestilências, mortandade, doenças, estão sob o mais perfeito controle do Cordeiro.
Portanto, em tempos de pandemia, de disseminação do coronavírus (COVID-19) em todo o mundo, precisamos descansar no governo e controle soberano do Cordeiro de Deus, o Senhor da história.
Cuidados e precauções? Sim! Desespero e pânico? Jamais!
“Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça;
porque a vossa redenção se aproxima.” (Lc 21.28)




