Durante a pandemia, os profissionais de saúde também encaram desafios, dramas e medos, por lidarem de maneira tão próxima com o perigo. Em Pernambuco, quarto estado com maior número de casos confirmados da Covid-19, médicos e enfermeiros contam que a tensão tem dominado a rotina nos hospitais.

O G1, fez uma reportagem interessante sobre o assunto. Até esta sexta-feira (17), Pernambuco contabilizou 2.006 casos confirmados da doença e 186 mortes. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), uma das figuras fundamentais é a do médico intensivista, que monitora as funções orgânicas e percebe alterações em fases iniciais de determinadas doenças. Carlos Eduardo é um deles.
“Somos preparados para vários cenários, inclusive diferentes. Inclusive com treinamento para catástrofe, mas nenhum treinamento e nenhum curso preparou a gente para o que está acontecendo agora. Nunca tivemos medo de sair para trabalhar. Às vezes até temos por causa da violência, pelo risco ocupacional. Mas medo de voltar para casa a gente nunca teve. Eu tenho medo de voltar para casa”, disse o médico.

Daniela Menezes, que é enfermeira, faz parte de uma das equipes que lidam com os pacientes infectados com a Covid-19. “Estar longe fisicamente dos meus familiares e amigos torna tudo mais difícil porque é o amor deles que me motiva e me dá força. Quantos aos pacientes, entre um e outro eu choro, entre um hospital e outro eu rezo. Entre uma melhora clínica e outra, eu vibro, me emociono e assim eu tenho vivido”, contou.
Nem mesmo quem trabalha em UTIs há mais de 20 anos deixa de se surpreender com o cenário atual da pandemia. O fisioterapeuta Francismar Ferrari lida diretamente com pacientes que estão com os pulmões altamente debilitados.
“Em 25 anos trabalhando em UTI, eu nunca vi acontecer o que está acontecendo agora. Eu nunca tive a oportunidade de ver tantos pacientes graves, precisando de ventilação mecânica, de cuidados intensivos e agudos de suporte de vida como estamos vendo agora. A doença é grave, tem sido desgastante para nós na UTI”, declarou.
A rotina de trabalho do médico Rodrigo Bezerra tem sido de 14 horas por dia. “Diferentemente de tecnocratas que estão vendo números gráficos, a gente que está na linha de frente, sabe que cada número de infectados e mortos tem rosto, tem história, tem família. A gente vê indivíduos entrando na UTI e a família se despedindo na entrada sem saber se eles vão sair”, contou.




