Ao longo das oito horas de depoimento à Polícia Federal, no último sábado (2), Sergio Moro apresentou e-mails, áudios e conversas de WhatsApp como prova de suas acusações ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Além disso, nomeou ministros que tinham conhecimento de delitos cometidos pelo presidente. Em entrevista à CNN, o advogado criminalista Rodrigo Nobuco analisou o processo que visa investigar as acusações de Moro e os supostos crimes de Bolsonaro.

Nabuco comenta que existe o risco de Moro se autoincriminar ao depor e mostrar provas contra Jair Bolsonaro, visto que ele não falou somente na condição de testemunha, mas também de investigado. “A depender das provas que ele tem indicado e apresentado, ele pode ter cometido ilícito penal no curso de sua gestão à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública”.
Ainda que não se tenha acesso ao conteúdo do depoimento de Moro, o criminalista traz uma análise do que pode ter sido o teor da conversa, dizendo que, provavelmente, ele precisou dizer, com mais detalhes, sobre como sua acusação de interferência na Polícia Federal pelo presidente ocorreu e em que momento ele teria solicitado a mudança do chefe da Polícia Federal.
Nabuco sinaliza que provavelmente o ex-diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, peça importante da investigação deverá ser chamado a prestar seu depoimento dizendo se realmente pediu para deixar seu cargo ou se foi demitido. “Eu acredito que o ex-ministro tenha dito como isso aconteceu e precisava da confirmação do Dr. Valeixo. Se o ex-ministro não tiver assinado no Diário Oficial a demissão de Maurício Valeixo, o crime de falsidade ideológica deverá ser investigado”, acrescentou.
Na sequência do processo, Rodrigo afirma que o presidente da República, como investigado, será o último a ser ouvido. Antes dele, será preciso o testemunho de muitas outras fontes, como por exemplo, outros ministros citados por Sergio Moro. “Somente depois que todas as provas tiverem sido colhidas, Bolsonaro poderá ser ouvido”.
Da CNN Brasil





