Da Folha Pernambuco
Neste domingo (17), o procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou durante entrevista ao Canal Livre, da Band, que não irá se omitir caso o relatório da CPI da Covid traga elementos contundentes relacionados ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). “Serão tomadas todas as providências“, disse.
Aras foi questionado a respeito da desconfiança de que poderá engavetar denúncia contra o presidente Bolsonaro, o que teria motivado os integrantes da CPI a criar uma estratégia para que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue o caso sem a participação dele.

“O problema é saber se estaremos omissos. Quem me conhece pode dizer que posso pecar por ação, não por omissão“, afirmou. De acordo com ele, ser discreto e não fazer escândalo não significa ser omisso.
Durante a entrevista, Aras detalhou a atuação de um grupo criado no Ministério Público para acompanhar a evolução da pandemia do ponto de vista jurídico, com a atuação de 150 promotores e procuradores.
“Temos um trabalho alentado, que foi entregue à CPI“, afirmou. Esse grupo acompanhou diariamente a comissão, segundo ele. Ele definiu a apuração parlamentar como relevante e lembrou que casos como o da Prevent Sênior já são investigados pelo Ministério Público.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, decidiu propor em seu texto final o indiciamento do presidente e de outros três ministros de seu governo: o titular da Saúde, Marcelo Queiroga; o atual ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni; e o atual ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Como havia adiantado, Renan vai sugerir o indiciamento de Bolsonaro por 11 crimes.
Neste domingo, no entanto, a CPI da Covid anunciou o adiamento da leitura e da votação do seu relatório final em meio às divergências entre senadores do grupo majoritário do colegiado.
A decisão foi tomada pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), após insatisfações a respeito de trechos do documento do relator e debates, entre outros pontos, sobre a inclusão de membros da família de Bolsonaro entre as propostas de indiciamento.
A leitura do relatório estava marcada para esta terça-feira (19). O presidente da comissão disse que ele será lido na quarta-feira (20), mas a votação do texto, que seria nesse dia, ficará apenas para a semana seguinte, no dia 26.
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