Vamos começar com um experimento científico. No vídeo abaixo, há seis pessoas, três de camisa preta, três de camisa branca. Elas estão fazendo passes com bolas de basquete. Sua missão, leitor, é simples: contar quantos passes foram feitos pelas que estão de camisa branca. Não pode confundir.

Terminou? Legal. Contou quantos? 15? 16?
E o cara fantasiado de gorila que se enfiou no meio do vídeo, o que achou dele?
Como assim? Você não viu ninguém fantasiado de gorila? Então assista de novo, porque ele está lá.
Esse experimento, feito em Harvard em 1999, é um dos mais famosos da história da psicologia. Mais da metade das cobaias simplesmente não nota quando o homem primata surge no take, por mais óbvia que seja sua presença. É a prova de que nosso cérebro, quando está concentrado em uma coisa, ignora solenemente todo o resto.
Falando assim, é engraçado. Mas e quando não há ninguém por perto para avisar que há um gorila passando? Ou pior: e quando ninguém sabe que há alguma coisa passando? Uma dupla de astrobiólogos da Universidade de Cádiz, na Espanha, publicou um artigo científico em que essa possibilidade é aplicada à escala cósmica: talvez o ser humano já tenha encontrado sinais de vida inteligente em outros planetas – mas não se deu conta disso porque esses sinais apareceram em estudos científicos que tinham outros objetivos, ou porque a maneira como nosso cérebro é estruturado não ajuda.





